
São Filipe, 29 Set (Inforpress) – O ministro da Economia, Comércio, Indústria e Economia Digital defendeu no Fogo uma nova agenda económica assente no reforço do sector primário e na industrialização, com aposta no parque agroindustrial projetado pela câmara de São Filipe.
António Batista afirmou que a ilha do Fogo possui “grande potencial” nos sectores da agricultura, pecuária e pesca, considerados fundamentais para a inclusão produtiva das famílias e para a diversificação da economia nacional.
Segundo a mesma fonte, o projecto da câmara de São Filipe para a criação de um parque agroindustrial e desencravar as zonas altas enquadra-se nas atribuições do ministério e poderá ser implementado através de uma parceria entre o Governo e a autarquia.
“Queremos, em parceria com as câmaras municipais, unir esforços para que o sector primário se torne um sector importante na economia de Cabo Verde, como estratégia para a diversificação económica”, afirmou.
António Batista considerou que esta estratégia deve abranger as ilhas com maior potencial produtivo, nomeadamente Fogo, Maio, Brava, São Nicolau e Santo Antão, através da criação das condições necessárias para o desenvolvimento da agricultura, pecuária e pesca.
O ministro apontou, contudo, uma redução consistente dos investimentos públicos no sector primário desde o início dos anos 2000, situação que, na sua perspectiva, contribuiu para a falta de infraestruturas e para o enfraquecimento das actividades produtivas em várias ilhas.
Segundo António Batista, a redução do investimento público deixou o sector dependente, em grande medida, da intervenção de organizações não-governamentais, que, segundo explicou, não dispõem da mesma capacidade de intervenção do Estado.
Defendeu, por isso, uma maior presença do Estado, através da construção de infraestruturas, disponibilização de meios de produção a custos acessíveis, assistência técnica, extensão rural e capacitação dos trabalhadores.
O governante chama igualmente atenção para a necessidade de reforçar a formação especializada, apontando a ausência de áreas como Zootecnia, Medicina Veterinária, Engenharia Agrícola e Engenharia de Pesca nas instituições de ensino superior do país.
Na área das pescas, considerou necessário apostar em tecnologia e diversificar os métodos de captura, tendo em conta a diversidade dos recursos existentes nas águas cabo-verdianas.
“O pescador em Cabo Verde pesca apenas com anzol”, afirmou, defendendo o acesso a tecnologias, que permitam explorar espécies como lulas e polvos, e aumentar a capacidade produtiva do sector.
Para António Batista, o reforço do sector primário e a sua ligação à indústria poderão contribuir para reduzir as assimetrias entre as ilhas e criar novas oportunidades económicas para as famílias, através de uma maior valorização e transformação da produção nacional.
JR/AA
Inforpress/Fim
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