
São Filipe, 22 Out (Inforpress) – O arquitecto Maurício dos Santos, projectista e fiscal das obras do Estádio 5 de Julho, considera que a infraestrutura está próxima da conclusão e poderá tornar-se uma referência nacional pela adequação aos parâmetros da FIFA.
Em declarações à Inforpress sobre a execução do projecto, após uma visita guiada, o arquitecto mostrou-se razoavelmente satisfeito com a qualidade dos trabalhos, sublinhando que, apesar das limitações relacionadas com a chegada de materiais e a disponibilidade de mão-de-obra, o resultado final da intervenção está muito próximo do desenho conceptual inicialmente idealizado.
Maurício dos Santos destacou a continuidade do acompanhamento do projectista durante a execução, promovida pela Câmara Municipal de São Filipe, como um factor importante para garantir a concretização do projecto e introduzir adaptações e soluções técnicas necessárias ao longo dos trabalhos.
O estádio foi concebido para uma capacidade de 1.500 espectadores, com condições para receber jogos regionais e nacionais, respeitando os parâmetros da FIFA em matéria de campo de jogo, mobilidade, acessibilidade, segurança e circulação.
Uma das soluções arquitetónicas adotadas foi a construção de uma bancada suspensa, em formato de consola, para aproveitar o espaço disponível sem desvalorizar a importância histórica do local, onde a população participou directamente na construção do antigo campo.
Além da infraestrutura desportiva, o projecto inclui um espaço pedonal com quase 200 metros de comprimento e mais de 20 metros de largura, destinado à circulação de espectadores e à realização de actividades recreativas, feiras, exposições e outros eventos.
O complexo contará ainda com um auditório para 50 pessoas, um centro de fisioterapia aberto aos atletas e à comunidade, bem como lojas destinadas a dinamizar a economia local e a contribuir para a sustentabilidade financeira da infraestrutura, incluindo a sua manutenção.
Segundo o projectista, foram igualmente previstas áreas específicas para árbitros, equipas médicas, ambulâncias, jornalistas, operadores de câmara e comentadores, além de espaços VIP e zonas de entrevistas rápidas, de acordo com as exigências regulamentares da FIFA.
As bancadas estarão organizadas em sectores distintos, com entradas e saídas próprias, permitindo melhorar a segurança e a circulação dos espectadores, incluindo a separação entre adeptos locais e visitantes.
Maurício dos Santos defendeu que o estádio deve funcionar como um espaço integrado na cidade, ultrapassando a lógica dos recintos desportivos fechados e isolados do tecido urbano.
A intenção é que, para além dos jogos, o equipamento acolha actividades culturais, sociais e económicas, disse.
O arquitecto salientou ainda que as opções construtivas tiveram em conta a durabilidade do edifício, cuja vida útil deverá ultrapassar os 40 a 50 anos, defendendo que o investimento na qualidade é essencial para garantir a conservação e a utilização prolongada da infraestrutura.
“Pode demorar um pouco mais durante a construção, mas no final teremos uma infraestrutura de qualidade e com longa vida útil”, disse.
JR/CP
Inforpress/Fim
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