
São Filipe, 10 Out (Inforpress) – O déficit tarifário acumulado da Águabrava ultrapassa os 300 mil contos levando a empresa intermunicipal a preparar uma proposta ao Governo para encontrar mecanismos de compensação e aumentar a disponibilidade de água para a agricultura e pecuária.
A informação foi avançada pelo presidente do Conselho de Administração (PCA) da Águabrava, Nuías Silva, que explicou que a proposta será preparada pelo administrador-delegado, em articulação com a Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS) e o Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas.
Segundo o responsável, entre as soluções em análise está a atribuição de uma subvenção que cubra o déficit tarifário, pelo menos ao nível dos custos, ou a identificação de outros mecanismos de investimento que permitam compensar a empresa e disponibilizar mais água para o sector agrícola.
Nuías Silva sublinhou que a Águabrava, enquanto empresa intermunicipal sem fins lucrativos, tem como missão garantir o abastecimento doméstico de qualidade e disponibilizar água em quantidade suficiente para responder às necessidades dos agricultores e pecuaristas das ilhas do Fogo e Brava.
O dirigente explicou que a questão já tinha sido objecto de negociações com o anterior Governo, mas terá de voltar à mesa com o novo executivo.
A empresa apresenta sinais de recuperação, com a redução progressiva dos déficits registados nos últimos anos.
Nuías Silva manifestou a expectativa de que, em 2027, a Águabrava consiga atingir o ponto de equilíbrio financeiro e voltar a apresentar resultados positivos.
O responsável revelou ainda que a empresa pretende resolver as dívidas cruzadas com instituições parceiras, sobretudo com a Electra e ANAS, tendo sido decidido abrir um canal de diálogo com o novo Conselho de Administração para chegar a um encontro de contas e a um acordo de reconhecimento das dívidas.
Em relação ao abastecimento, Nuías Silva afirmou que os problemas que afectavam várias localidades, algumas das quais permaneceram meses sem água, foram ultrapassados através de intervenções técnicas, desobstrução de condutas e recuperação de furos que estavam desactivados.
A empresa continua a trabalhar na manutenção e expansão da rede de distribuição, com intervenções previstas ou em curso em Campanas de Baixo (Ladeira Grande), Galinheiro (Figueira Tché), Campanas de Cima (São João) e Monte Barro, além da construção de reservatórios em algumas localidades.
Nuías Silva considerou que a estabilização da gestão e do abastecimento coloca a empresa no caminho da recuperação, embora reconheça que persistem desafios financeiros que exigem diálogo com o Governo e com os parceiros institucionais.
JR/HF
Inforpress/Fim
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