
Cidade da Praia, 21 Out (Inforpress) – O promotor da primeira edição do Festival Internacional de Contos, Adriano Reis, disse hoje, na cidade da Praia, que o evento despertou o interesse de alunos, professores e famílias pela tradição oral.
Em entrevista à Inforpress, Adriano Reis, membro da Associação de Dinamização Ambiental, Social e Cultural (RJ ANIMA), fez um balanço “muito positivo da iniciativa”, que decorreu, de 16 a 18 de Outubro, nas escolas da Cidade Velha, e considerou que a iniciativa ultrapassou as expectativas da organização, sobretudo pela adesão das escolas e pelo interesse demonstrado pelo público.
Durante as actividades, os contadores de histórias incentivaram alunos, professores, pais e avós a recuperar o hábito de contar histórias, num esforço para manter vivas as narrativas tradicionais e a memória transmitida entre gerações.
“Um contador a contar uma história, mesmo para mim, já é positivo. Uma pessoa ao lado começa a lembrar-se, ah o meu avô contou isto”, relatou Adriano Reis, ao descrever as reacções que observou durante as sessões.
Para o promotor, essas recordações mostraram que os contos continuam presentes na memória das pessoas e podem recuperar espaço no quotidiano das famílias.
A programação nas escolas foi mais abrangente do que a inicialmente prevista. Além das actividades no ensino secundário, a organização levou os contos a alunos do ensino básico, de manhã e à tarde.
O interesse estendeu-se às actividades de reflexão sobre a tradição oral, que contaram com a presença de professores, participantes e curiosos.
Entre os momentos que mais marcaram Adriano Reis esteve a narração de Blimundo, durante a qual o público se aproximou para acompanhar a história.
O episódio reforçou, conforme o promotor, o valor de devolver estas narrativas aos espaços de convívio e à memória colectiva.
A primeira edição reuniu 18 contadores de histórias, dos quais 14 mulheres e quatro homens.
Adriano Reis associou a predominância feminina à homenagem à mulher cabo-verdiana, cuja presença, na sua leitura, atravessou a narração, a língua e as expressões culturais partilhadas durante o festival.
Apesar do balanço positivo, a realização de uma segunda edição ainda não está decidida.
A RJ ANIMA e os parceiros deverão avaliar os resultados e as condições necessárias para dar continuidade à iniciativa, tendo em conta que os contadores participaram de forma voluntária.
Para Adriano Reis, a continuidade do projecto exige condições que permitam valorizar o trabalho dos contadores de histórias e reconhecer o contributo da tradição oral para a educação e a cultura.
O Festival Internacional de Contos decorreu de 16 a 18 de Outubro, na Cidade Velha, numa organização da RJ ANIMA e da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, com o apoio de parceiros institucionais.
KF/HF
Inforpress/Fim
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