
Washington, 18 Set (Inforpress) – A cantora Barbra Streisand criticou o "ego desmedido" do presidente norte-americano, Donald Trump, face às suas ameaças de demolir o conhecido Kennedy Center, em Washington.
Num longo comunicado publicado no seu 'site' oficial, a cantora escreveu: "É fácil imaginar a minha indignação ao ver esta venerada instituição tornar-se objeto de uma disputa tão amarga por causa do nome e do ego desmedido de um único homem".
As declarações da cantora surgem depois de um juiz federal ter determinado, na quinta-feira, que a administração Trump deve notificar com pelo menos 30 dias de antecedência a intenção de demolir o Kennedy Center, em Washington.
Esta decisão surgiu um dia depois de o presidente norte-americano ter ameaçado demolir o edifício, por ter sido impedido de incluir o seu nome na designação do centro.
O juiz Christopher Cooper explicou que tal pedido visa "evitar qualquer confusão a este respeito, dados os acontecimentos mais recentes".
Na quinta-feira, foi divulgada uma imagem do fotógrafo Brendan Smialowski, da France Presse, que mostrava Donald Trump, através das janelas do avião presidencial Air Force One, a segurar um cartaz com o título "Demolição do Kennedy Center".
A cantora recorda que, em 1964, "após o chocante assassinato do Presidente John F. Kennedy, o Congresso aprovou uma lei que designava o Centro Cultural Nacional como um memorial vivo em sua homenagem".
E, desde então, o local — Kennedy Center for the Performing Arts — "consolidou-se como um dos grandes espaços culturais dos Estados Unidos", recordou Streisand. "Muitos dos atores, músicos, cantores e bailarinos mais conceituados do mundo têm-se apresentado nos seus palcos". Para a cantora, a instituição "simboliza a convicção da importância da arte para a vida democrática".
"Quando Donald Trump tentou pôr o seu nome ao lado do nome do Presidente Kennedy na fachada do edifício, a iniciativa provocou uma rejeição generalizada por parte dos artistas e de grande parte do público", recorda a cantora.
Posteriormente, um juiz federal determinou que o nome do Kennedy Center não poderia ser alterado sem uma lei do Congresso, o que levou a que o nome de Trump fosse retirado.
A contenda pelo protagonismo, porém, continuou e agora "um Trump totalmente derrotado anunciou o encerramento do Kennedy Center para realizar o que o conselho — composto inteiramente por pessoas alinhadas com ele — descreve como uma grande renovação. Curiosamente, quando o nome de Trump ainda constava no edifício, o encerramento não foi equacionado em momento algum!", escreve Barbra Streisand.
O Kennedy Center nasceu com o propósito de homenagear John Kennedy e de promover a sua afirmação de que a realização artística é a prova de uma sociedade livre.
Barbra Streisand conclui: "Eis mais uma razão pela qual é tão importante que os americanos exerçam o seu direito de voto nas próximas eleições intercalares!", referindo-se ao próximo sufrágio, no qual Trump poderá perder a maioria que detém atualmente no Congresso.
Inforpress/Lusa
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