Especialistas alertam que visibilidade não é reputação e apelam a uma relação transparente entre organizações e media

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Especialistas alertam que visibilidade não é reputação e apelam a uma relação transparente entre organizações e media
25/09/26 - 04:25 pm

Cidade da Praia, 25 Set (Inforpress) – Especialistas alertaram hoje que visibilidade não é reputação e apelaram a uma relação transparente entre organizações e media, durante o primeiro painel da Conferência “Comunicar Impacto” que decorreu na Sala Beijing do Palácio da Presidência da República.

Intervindo no debate, a presidente do Conselho Directivo da Associação de Relações Públicas de Cabo Verde (ARP-CV), Yara dos Santos, sublinhou que a comunicação institucional não pode resumir-se ao último passo de um processo ou a uma mera ferramenta de fachada.

“Muitas organizações pensam que basta estarem visíveis, publicarem fotografias ou terem milhares de seguidores para terem credibilidade”, apontou aquela responsável, frisando que a visibilidade é efémera, enquanto a reputação é a consequência de tudo o que a organização é, faz e entrega ao longo do tempo.

Yara dos Santos chamou ainda a atenção para as rupturas de confiança causadas pelo desfasamento entre o discurso e a prática, sublinhando que a promessa de excelência seguida de uma entrega banal corrói a credibilidade das organizações.

No seu entendimento, a comunicação deve ser encarada como um acto de governação e uma função estratégica integrada desde a tomada de decisão, exigindo a transição da simples divulgação de actividades para a demonstração clara do impacto real gerado nas comunidades.

Por sua vez, a jornalista da Agência Cabo-verdiana de Notícias (Inforpress) Dulceneia Ramos centrou a sua reflexão no olhar dos média sobre a comunicação das organizações, sublinhando que os órgãos de comunicação social não são um mero “megafone” institucional, mas sim estruturas de selecção, verificação e contextualização.

“O jornalista procura significado, contexto e impacto, e não apenas o registo de uma cerimónia ou de uma reunião”, frisou Dulceneia Ramos, alertando para a necessidade de separar a informação institucional da narrativa jornalística.

A jornalista apontou também sete princípios fundamentais para estreitar a colaboração entre as partes, apelando às organizações que não procurem os órgãos de comunicação apenas quando precisam de divulgação, que respeitem o tempo das redacções, disponibilizem dados objectivos e não escondam limitações.

Nesse sentido, defendeu que assumir falhas e dificuldades constrói muito mais credibilidade do que tentar apresentar uma imagem permanentemente perfeita, lembrando que a assessoria de imprensa deve facilitar o acesso à informação e nunca tentar ditar a notícia.

A conferência, promovida conjuntamente pela Associação de Relações Públicas de Cabo Verde (ARP-CV) e pela Plataforma das ONG de Cabo Verde na Sala Beijing do Palácio da Presidência da República, teve como propósito debater os caminhos para fortalecer a transparência, a ética e a confiança na sociedade civil cabo-verdiana.

SC/HF

Inforpress/Fim

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