
*** Por Carina David, da Agência Inforpress ***
Mindelo, 23 Jul (Inforpress) - O Porto de Cruzeiros do Mindelo facturou cerca de 20 mil contos no seu primeiro ano de actividade, recebeu 73 escalas de navios e movimentou 51.021 passageiros, consolidando-se como infraestrutura dedicada a estre segmento no país.
A informação foi avançada hoje, em entrevista à Inforpress, pela administradora-delegada do Porto de Cruzeiros, Sónia Santos, no balanço do primeiro ano de funcionamento da infraestrutura, inaugurada a 21 de Junho de 2025 e que iniciou operações a 30 de Setembro, coincidindo com o arranque da temporada de cruzeiros.
Segundo esta responsável, o balanço do primeiro ano é “bastante positivo”, uma vez que os resultados alcançados “ultrapassaram as expectativas”, quer ao nível do número de escalas, quer da organização das operações e dos serviços prestados aos navios.
“O feedback que temos recebido, tanto das companhias como dos passageiros, é que o Porto [de Cruzeiros do Mindelo] é um dos postos mais bem organizados que visitaram, também por causa da condição da ilha e por ser um porto que abraça a cidade, fica mais fácil organizar as excursões”, afirmou.
Segundo Sonia Santos, durante a temporada de cruzeiros, registou-se 80 escalas de navios de cruzeiros em São Vicente, das quais 73 foram recebidas e processadas no Porto de Cruzeiros do Mindelo.
As restantes setes, explicou, ocorreram no Porto Grande, devido à necessidade de abastecimento de combustível por pipeline, serviço ainda indisponível no terminal de cruzeiros.
Conforme Sónia Santos, as 73 escalas permitiram receber 51.021 passageiros e navios de diferentes segmentos, desde embarcações de expedição e de luxo até grandes navios de companhias como a MSC e a TUI Cruises.
“Ao longo da temporada não recebemos qualquer reclamação das companhias de cruzeiro. Pelo contrário, o feedback tem sido muito positivo, tanto das companhias como dos passageiros, que destacam a organização das operações e das excursões”, afirmou.
Conforme a mesma fonte, verificou-se também um aumento do número de turistas dando continuidade à “tendência crescente” que tem sido verificado ao longo dos anos.
Mas, ressaltou, ter um porto dedicado para o serviço fez com que atingissem um nível que é expectável em relação a este tipo de negócio, porque agora conseguem receber diferentes tipos de navios e conferir aos passageiros e aos tripulantes maior comodidade e segurança.
No plano financeiro, explicou que os cerca de 20 mil contos facturados correspondem exclusivamente às receitas geradas pelo Porto de Cruzeiros do Mindelo, através dos diversos serviços portuários prestados durante a temporada.
Entre esses serviços constam acostagem, amarração, pilotagem e reboque e abastecimento de água, entre outros.
Relativamente à estatística dos serviços prestados, revelou que 25 escalas solicitaram abastecimento de combustível, efectuado em parceria com a Enacol e a Vivo Energy, enquanto 56 recorreram ao serviço de recolha de resíduos sólidos.
O abastecimento de água foi realizado em 22 escalas e o fornecimento de provisões aos navios ocorreu em 15 escalas.
A administradora-delegada destacou igualmente a utilização do terminal como ‘home port’ (porto de base) pelo navio Le Ponant, que durante cerca de dois meses realizou operações semanais de embarque e desembarque de passageiros que chegavam a São Vicente por via aérea para prosseguirem viagem de cruzeiro.
Segundo a responsável, esta operação demonstra a capacidade da infraestrutura para acolher diferentes segmentos do mercado de cruzeiros e realizar operações de maior complexidade.
O Porto de Cruzeiros do Mindelo foi construído fruto de um investimento superior a 32 milhões de euros, com financiamento do Governo, OPEC Fund e Invest International (ORIO).
De acordo com a Enapor, o porto possui um cais de 400 metros de comprimento, 20 de largura, e profundidades que variam entre os 11 metros, do lado Norte, e 9,5, do lado Sul, estando apto a receber cerca de 90 por cento (%) da frota mundial de navios de cruzeiro.
Adiantou ainda que a infraestrutura permite a atracação simultânea de dois navios de cruzeiro de até 350 metros, com capacidade total para até 6.000 passageiros.
CD/AA
Inforpress/Fim
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