
Cidade da Praia, 24 Set (Inforpress) – O investigador Celestino Barros defendeu hoje que a computação próxima da origem dos dados pode tornar os sistemas mais rápidos e eficientes, reduzindo tempos de resposta e a dependência de ligações permanentes à ‘cloud’.
‘Cloud’ (ou nuvem) significa o uso de redes de servidores remotos conectados à internet para armazenar, gerir e processar dados, ficheiros e programas, em vez de depender do armazenamento local de um computador.
Autor do livro “A Computação Próxima da Origem dos Dados – Escalonamento de Tarefas Sensível ao Contexto no Paradigma Fog”, Celestino Barros pormenorizou à Inforpress que a principal vantagem desta abordagem está na possibilidade de processar parte dos dados mais perto do local onde são produzidos.
“Em vez de levar sempre todos os dados até à computação, aproximamos também a computação dos dados”, explicou, sublinhando que esta solução pode ser particularmente relevante em aplicações que exigem decisões em “tempo quase real”.
Segundo o investigador, quando todos os dados são enviados para um centro de dados distante, processados e posteriormente devolvidos, existe maior tempo de espera e dependência da conectividade.
Com o processamento próximo da origem, é possível reduzir esse intervalo, diminuir o tráfego na rede e permitir que determinados sistemas mantenham alguma autonomia mesmo perante limitações de conectividade.
Celestino Barros apontou como exemplos sensores industriais, equipamentos médicos, câmaras inteligentes e veículos conectados, sectores nos quais, segundo explicou, “alguns segundos, ou mesmo alguns milissegundos, fazem diferença”.
Num país arquipelágico como Cabo Verde, o investigador considera que a tecnologia pode assumir particular interesse, sobretudo pela necessidade de reduzir a dependência exclusiva de centros de processamento distantes e de ligações permanentes à ‘cloud’.
“A computação próxima da origem dos dados permite que parte do processamento seja realizada localmente ou em infraestruturas intermédias”, afirmou, acrescentando que a abordagem pode contribuir para reduzir o volume de informação que circula pela rede e aumentar a autonomia de determinados serviços.
Entre as áreas com potencial de aplicação, destacou a saúde, através da monitorização de equipamentos e doentes, a energia, na monitorização de redes e sistemas de produção distribuída, e a agricultura, através de sensores capazes de recolher e processar localmente informações sobre humidade, temperatura e condições do solo.
Protecção civil, ambiente, transportes, segurança, telecomunicações e gestão de infraestruturas críticas são igualmente apontados pelo investigador como sectores onde estas soluções poderão encontrar aplicação.
No contexto cabo-verdiano, salientou ainda a importância da distribuição geográfica das ilhas, considerando que, em determinados cenários, poderá ser vantajoso dispor de capacidade de processamento mais próxima dos locais onde os dados são produzidos.
Contudo, Celestino Barros esclareceu que a proposta não passa pela substituição da ‘cloud’, mas por uma utilização complementar dos diferentes níveis de processamento.
“O modelo que defendo é complementar: algumas tarefas podem ser tratadas localmente, outras em recursos ‘Fog’ e outras continuarão a ser encaminhadas para a ‘cloud’”, precisou.
Sobre a publicação da obra, o investigador considerou que transformar a investigação científica em livro constitui uma forma de dar continuidade e utilidade ao conhecimento produzido na academia.
Para Barros, a investigação não deve terminar numa tese, num artigo científico ou numa apresentação em congresso, defendendo que o conhecimento ganha maior valor quando é organizado, partilhado e colocado ao alcance de estudantes, investigadores e profissionais.
“Procurei preservar o rigor científico, mas também tornar os conceitos progressivamente mais compreensíveis”, afirmou, explicando que pretende estabelecer uma ponte entre a investigação especializada e um público mais amplo.
O investigador espera que a obra possa servir de ponto de partida para novos trabalhos, sobretudo entre estudantes e jovens investigadores interessados em ‘Fog Computing’, ‘Edge Computing’, ‘Cloud Computing’, ‘Internet das Coisas’, sistemas distribuídos e escalonamento de tarefas.
“Precisamos de continuar a fortalecer a nossa capacidade de produzir conhecimento científico e tecnológico”, defendeu, apontando a investigação, publicação, experimentação e adaptação tecnológica às necessidades nacionais como elementos desse processo.
O livro “A Computação Próxima da Origem dos Dados – Escalonamento de Tarefas Sensível ao Contexto no Paradigma Fog” será lançado no dia 14 de Outubro, às 17:00, na Mediateca da Universidade de Cabo Verde, num momento dedicado à apresentação da obra e à valorização da investigação e produção científica.
KA/AA
Inforpress/Fim
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