
Espargos, 09 Set (Inforpress) – O documentário “Pedra d’Sal: memória, identidade e legado”, apresentado no Sal, pretende resgatar e preservar a memória coletiva e a identidade cultural da ilha, dando voz às pessoas para recontar a história do povoamento e do trabalho local.
A garantia foi dada hoje à imprensa pela mentora do projeto, Cátia Gonçalves, que explicou que a ideia de produzir a obra audiovisual de cerca de 30 minutos surgiu durante uma conversa com a sua colega de trabalho, em que se apercebeu de factos e vivências da história do Sal que eram desconhecidos das gerações mais jovens.
“Isso despertou-me a curiosidade, se eu não sabia, imaginei as gerações mais novas. Decidimos então avançar com o documentário para trazer um pouco de todas as histórias que as pessoas precisam de conhecer”, revelou Cátia Gonçalves.
O projeto foi desenvolvido por um grupo de cinco jovens naturais da ilha, que se juntaram para realizar um trabalho de investigação e pesquisa no terreno.
A iniciativa envolveu a elaboração de roteiro, captação de depoimentos e o cruzamento de fotografias e arquivos históricos com o cenário atual.
Para a mentora, o foco principal é evitar que a rápida transformação da ilha num polo turístico dilua as suas raízes e a sua herança sociocultural.
“Sal é hoje uma ilha muito turística, mas não podemos deixar perder o que fomos e o que somos. Nada melhor do que as pessoas que viveram tudo isso para virem contar o que se lembram, deixando esse registo para as próximas gerações”, sublinhou.
Um dos destaques do documentário é a comunidade de Pedra de Lume, local histórico ligado à exploração do sal e ao início do povoamento da ilha.
Cátia Gonçalves aproveitou a ocasião para lançar um apelo às autoridades e à sociedade sobre a necessidade de maior atenção para com aquela localidade.
“A maioria das pessoas pensa que o Sal começou nos hoteis ou na luta do turismo, mas a nossa história começou no trabalho em Pedra de Lume. É triste olhar para trás e ver a importância que Pedra de Lume teve para estarmos aqui hoje e a forma como é tratada atualmente”, lamentou.
“Ali há muito suor, muito trabalho e muita luta pela sobrevivência. Fica o apelo a quem de direito para ter mais atenção e carinho por Pedra de Lume, porque é essencial sabermos de onde viemos”, concluiu a mentora.
O documentário, que junta o passado ao presente para projetar o futuro da identidade salense, fica agora disponível como um registo de preservação do património imaterial da ilha.
NA/AA
Inforpress/Fim
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