
Cidade da Praia, 21 Mai (Inforpress) – O Mercado de Sucupira reflecte diariamente a diversidade cultural em Cabo Verde, reunindo comerciantes e visitantes de vários países africanos que defendem a convivência pacífica, o respeito pelas diferenças e o diálogo entre culturas.
No âmbito do Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, efeméride assinalado hoje, comerciantes e visitantes falaram sobre a importância da união entre os povos e do respeito pelas diferenças culturais.
Conhecido por acolher cidadãos de vários países africanos, como Senegal, Guiné-Bissau, Nigéria, Mali e Guiné-Conacri, Sucupira transforma-se diariamente num espaço de partilha cultural, onde se cruzam línguas, tradições, gastronomia e diferentes formas de viver.
Para muitos comerciantes, a diversidade presente no mercado representa uma riqueza para Cabo Verde.
“Aqui convivemos todos como irmãos. Cada um traz a sua cultura, mas aprendemos a respeitar-nos”, afirmou Magai Sale, comerciante senegalês há mais de quatro anos em Cabo Verde.
Magai Sale disse que uma das formas mais expressivas da diversidade cultural visíveis no mercado é a religião. Segundo ele, actualmente há muitos cabo-verdianos que adoptam práticas culturais de outros povos, sobretudo através da conversão à religião muçulmana.
Márcia Semedo, que trabalha há algum tempo no mercado, considera que Sucupira é um símbolo da integração africana.
“Quando venho aqui encontro pessoas de vários países. Isso mostra que Cabo Verde é um país aberto e acolhedor”, disse.
Acrescentou que convive todos os dias com pessoas de diferentes culturas e que, a partir dessa convivência, aprendeu muitas coisas, desde línguas até técnicas de tranças com as nigerianas, além da partilha gastronómica.
Para Márcia Semedo, a diversidade aproxima as pessoas, justificando que actualmente convive com várias culturas num ambiente de paz, respeitando sempre a cultura do outro.
Os entrevistados defenderam a necessidade de reforçar o diálogo entre culturas, sobretudo numa altura em que o mundo enfrenta desafios ligados à intolerância e à discriminação.
“Devemos ensinar os jovens a respeitar as diferenças culturais. A diversidade não divide, pelo contrário, aproxima as pessoas”, sublinhou Aicha Dialo.
Aicha Dialo, cabo-verdiana convertida à religião muçulmana, frisou que a diversidade deve ser efectivamente respeitada e compreendida, para que todos possam viver em harmonia.
Mariamba Baldé, do Mali, defendeu que conhecer os costumes de outros povos ajuda a combater preconceitos e afirmou que Cabo Verde tem demonstrado ser um país que sabe acolher outras culturas, acrescentando que se sente bem acolhida.
A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou este Dia Mundial pela primeira vez em 2002, após a aprovação pela Unesco da Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural de 2001, que reconhece a necessidade de se aumentar o potencial da cultura como meio de alcançar prosperidade, desenvolvimento sustentável e coexistência pacífica mundial.
JBR/AA
Inforpress/Fim
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