
Pequim, 04 Jun (Inforpress) – A China acusou hoje a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) de politizar um relatório sobre subsídios industriais, após o organismo concluir que as empresas chinesas recebem apoios estatais muito superiores aos dos países membros.
Em comunicado, o ministério do Comércio chinês defendeu que os subsídios constituem um instrumento de política económica amplamente utilizado por várias economias, incluindo pelos próprios membros da OCDE, e reiterou a disponibilidade para participar nas discussões sobre normas internacionais nesta matéria.
O Governo chinês assegurou ainda que as suas políticas de apoio à indústria cumprem “rigorosamente” as regras da Organização Mundial do Comércio e as respetivas obrigações de transparência.
Segundo o ministério, o relatório da OCDE recorre a conceitos “não definidos de forma rigorosa”, utiliza uma amostra “enviesada” e apresenta conclusões “parciais e arbitrárias”.
Pequim argumentou também que os apoios identificados pelo estudo não assentam em critérios de medição nem em metodologias estatísticas uniformes e afastam-se dos consensos alcançados em fóruns multilaterais, como a OMC.
As autoridades chinesas rejeitaram ainda que o aumento da quota de mercado global das empresas chinesas possa ser explicado apenas pelo apoio estatal, alegando que o relatório ignora fatores como economias de escala, eficiência produtiva e modernização tecnológica.
A China instou a OCDE a realizar investigações de forma “objetiva e neutra”, recolhendo opiniões de todas as partes e recorrendo a dados “completos, precisos e credíveis”, ao mesmo tempo que apelou ao organismo para evitar a “politização” e a “instrumentalização” dos seus relatórios.
A reação surge após a OCDE ter apresentado esta semana a base de dados MAGIC (Manufacturing Groups and Industrial Corporations), dedicada ao estudo dos apoios industriais.
Segundo o relatório, as empresas chinesas receberam entre 2005 e 2024 níveis de apoio público entre três e oito vezes superiores aos das empresas dos países membros da organização.
O estudo conclui ainda que esses subsídios explicam cerca de 60% do aumento da quota das empresas chinesas no mercado mundial durante o período analisado.
Inforpress/Lusa
Fim
Partilhar