
Cidade da Praia, 06 Out (Inforpress) – O presidente da Câmara de Comércio de Sotavento defendeu hoje que os países que beneficiam de recursos humanos cabo-verdianos qualificados devem compensar Cabo Verde pelo investimento feito na formação desses jovens quadros.
É injusto que alguns países desenvolvidos venham buscar recursos humanos a Cabo Verde, que custa ao erário público muito dinheiro, as empresas nacionais também que os forma e que depois esses países beneficiam desses recursos sem contribuir com nada”, apontou.
Marcos Rodrigues que falava aos jornalistas hoje, no final do encontro entre o Governo e o sector privado, avançou que a proposta foi partilhada com o Chefe de Governo.
Para este responsável, Cabo Verde deve abordar com esses países, sem nenhum “tabu”, a ideia que é pagarem pela formação profissional dos cabo-verdianos, já que não faz sentido que o Estado continue a gastar dinheiro público para formar jovens e que outros países os levem, mas
Marcos Rodrigues reconheceu que Portugal já contribui para a formação profissional no país, mas considerou que esse apoio ainda é insuficiente e deve ser reforçado, tendo em conta que os quadros cabo-verdianos qualificados são procurados por vários países.
Contudo, considerou que os empresários cabo-verdianos também têm responsabilidades a nível da saída de recursos humanos e propôs que a classe deve criar melhores condições de trabalho e salários mais competitivos.
Marcos Rodrigues destacou igualmente a importância da microeconomia, que classificou como “o pulmão do país”, considerando que é neste segmento que se encontra uma parte importante do tecido empresarial e onde se reflecte o desenvolvimento económico.
Entretanto, manifestou-se preocupado com a pressão de investidores estrangeiros em alguns segmentos do mercado, apontando empresários provenientes da Índia, Paquistão, China e Líbano, que têm vindo a ocupar espaços tradicionalmente associados aos micro e pequenos negócios nacionais.
"Se nós não cuidarmos desta franja de mercado, nós teremos daqui mais algum tempo um país um pouco desarticulado, não teremos empresários nacionais a fazer actividade no país onde nasceu", apontou.
Para o responsável, é necessário criar instrumentos de apoio às microempresas e reforçar as condições para que os empresários nacionais possam sobreviver, crescer e alcançar outros níveis de desenvolvimento.
Sobre o encontro, considerou a iniciativa “bastante interessante”, tendo em conta que permitiu colocar sobre a mesa várias questões que permaneciam pendentes desde o anterior executivo.
Segundo Marcos Rodrigues, o actual Governo demonstrou interesse em analisar e procurar soluções para os problemas apresentados pelos empresários, que estão expectantes quanto a dias melhores.
AV/HF
Inforpress/Fim
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