
Nova Sintra, 29 Jul (Inforpress) – Alguns agricultores da ilha Brava já iniciaram a sementeira, mas a maioria prefere aguardar pelas primeiras chuvas, alegando que a elevada presença de galinhas-do-mato representa um sério risco para as sementes lançadas em terrenos secos.
Numa ronda efectuada pela Inforpress em diferentes localidades do município, foi possível constatar que alguns agricultores já colocaram as sementes no solo, sobretudo em terrenos situados nas imediações das suas residências, onde a presença destas aves é menos frequente.
O agricultor João da Rocha explicou que optou por adiar o início da sementeira até à chegada das primeiras chuvas, devido ao elevado número de galinhas-do-mato registadas atualmente na ilha.
"Esta praga está em grande quantidade na Brava e, se fizermos a sementeira agora, as galinhas acabam por retirar todas as sementes. Já vi algumas pessoas a preparar e a trabalhar os terrenos, mas considero que é muito arriscado", afirmou.
Segundo o agricultor, o investimento necessário para preparar as terras é elevado, tornando a situação ainda mais preocupante.
"É muito arriscado pagar dois mil escudos por cada trabalhador para depois as galinhas destruírem toda a sementeira e perdermos o investimento", lamentou.
Rocha defendeu ainda uma maior intervenção das autoridades no combate à proliferação destas aves.
"Penso que as autoridades devem estudar medidas para minimizar esta praga, que não é fácil de eliminar totalmente, mas que tem causado muitos prejuízos aos agricultores", acrescentou.
Também o agricultor Edmilson García, da localidade de Cova Joana, confirmou que o problema afecta a sua zona, levando muitos produtores a adiarem a sementeira.
"Estamos todos com receio de semear sem chuva, porque as galinhas retiram as sementes. Eu apenas lancei sementes nos arredores da minha casa, onde consigo controlar melhor a situação", disse.
Por sua vez, o técnico e director dos programas de conservação terrestre da Associação Bioflores, Carlos Bango, considerou que este é um período particularmente crítico para a agricultura na ilha Brava, uma vez que tradicionalmente a sementeira é feita em solo seco, prática que se tornou mais difícil devido ao aumento da população de galinhas-do-mato.
Segundo o responsável, a elevada taxa de reprodução da espécie tem agravado a pressão sobre as zonas agrícolas, tornando necessária a adoção de estratégias de gestão da população.
Carlos Bango defendeu, como primeira medida, a realização de um estudo que permita quantificar a população de galinhas-do-mato nas diferentes zonas agrícolas da ilha.
"É importante termos uma noção clara da quantidade de galinhas existente em cada área agrícola para que possamos definir as medidas mais adequadas", afirmou.
O técnico sugeriu ainda o desenvolvimento de métodos eficazes para afugentar as aves das áreas de cultivo, bem como o reforço de técnicas de captura.
"Não podemos continuar eternamente neste impasse. Sabemos que atualmente existem limitações, nomeadamente em relação aos meios disponíveis, mas é necessário desenvolver técnicas e instrumentos adequados para proteger os agricultores e reduzir os prejuízos causados por esta praga", concluiu.
DM/AA
Inforpress/Fim
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