
Sal Rei, 16 Out (Inforpress) - A ilha da Boa Vista acolheu o 17.º Batizado e troca de cordas da ABADÁ-Capoeira, evento sob o lema “Nós Identidade” que decorreu nas localidades do Rabil e Sal Rei, reunindo dezenas de praticantes, famílias e convidados internacionais.
O evento, que se encerrou na noite de quinta-feira, teve a sua programação dividida em dois momentos distintos. As actividades arrancaram na quarta-feira, no Largo Rua de Caboque, no Rabil, assinalando a primeira vez em outra localidade, com a participação de alunos dos projectos sociais das comunidades de Estância de Baixo, Povoação Velha e Rabil.
O encerramento teve lugar no dia seguinte, no Largo Santa Isabel, em Sal Rei, juntando os alunos da escola local e as crianças do bairro da Boa Esperança.
Em declarações à imprensa, o responsável e instrutor “Dumbo”, explicou que a iniciativa, enquadrada nas celebrações do Dia Nacional da Cultura, teve como objectivo principal valorizar as tradições locais e transmiti-las às novas gerações através da arte e do desporto.
"Não podíamos deixar de abordar o tema “Nós Identidade”. Tentámos trazer a música, a dança e a tradição da nossa terra para que as crianças não percam a memória e deem continuidade a esta herança", declarou o responsável.
A vertente social esteve em plano de evidência, tendo o instrutor "Dumbo" realçado o impacto do projecto comunitário desenvolvido há cerca de quatro anos no bairro da Boa Esperança, que conta actualmente com treinos no novo polidesportivo comunitário, como ferramenta pedagógica para a disciplina, educação e formação cívica dos jovens.
O evento contou com a presença e liderança do mestrando “Kabwenha”, angolano residente na Suíça e figura de destaque na capoeira, para além da professora “Boneca” (Portugal), do instrutor “Pirralho”, (São Vicente), e do graduado “Risonho” (Sal).
O mestrando "Kabwenha" enalteceu o envolvimento das famílias e o trabalho de continuidade promovido pela Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte-Capoeira (ABADÁ-Capoeira) na ilha da Boa Vista ao longo dos últimos 19 anos.
"A participação das crianças e o apoio dos pais é algo muito positivo. A capoeira é uma ferramenta educativa crucial no alicerce da formação cívica e no fortalecimento da identidade cabo-verdiana", afirmou, destacando ainda a forte presença de adolescentes dos 13 aos 15 anos como garantia da renovação geracional da modalidade na ilha.
MGL/CP
Inforpress/Fim
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