
Cidade da Praia, 07 Jul (Inforpress) – O aumento da pressão sobre as praias durante o Verão exige medidas coordenadas de prevenção, sensibilização, fiscalização e monitorização ambiental, através de um plano sazonal eficaz que vá além da simples limpeza, defendeu hoje o especialista Keider Neves.
O coordenador do Departamento de Conservação da Biosfera explicou, em declarações à Inforpress, que a habitual corrida às praias com a chegada do calor traz consigo impactos ambientais que, embora pareçam reduzidos quando observados de forma isolada, tornam-se significativos ao acumularem-se ao longo de toda a época balnear.
Segundo Keider Neves, o aumento substancial de resíduos sólidos deixados nos areais é uma das maiores problemáticas da actualidade, comprometendo gravemente a qualidade ambiental e representando sérios riscos para a fauna marinha.
"As pessoas têm de ter consciência de que as praias não são um depósito de lixo. Quando levam bebidas e alimentos, devem trazer os resíduos de volta e descartá-los de forma adequada", apelou o coordenador.
O responsável relembrou ainda que a época balnear coincide com o período de reprodução das tartarugas marinhas no arquipélago, pelo que os banhistas devem evitar rigorosamente pisotear os ninhos, acender fogueiras durante a noite ou perturbar os animais.
Alertou igualmente que no mar, os cuidados devem ser idênticos, evitando-se o pisoteio de corais e outras espécies em habitats frágeis onde os danos podem ser irreversíveis.
Keider Neves sublinhou que, num país como Cabo Verde, onde as praias constituem um importante património natural e um dos principais atractivos turísticos, a sua conservação é, além de uma questão ambiental, mas económica e social, exigindo uma gestão integrada com envolvimento de todos.
Sobre os resíduos encontrados nas praias, explicou que estes provêm essencialmente de duas formas: o lixo transportado pelas correntes marinhas, que se acumula sobretudo na costa norte das ilhas, apontando a Praia dos Achados, em Santa Luzia, como um dos maiores exemplos, e os resíduos produzidos no próprio país, resultantes do descarte inadequado.
Está-se a falar de embalagens, produtos descartáveis e garrafas, seguindo-se, em menor quantidade, vidro, latas, “beatas de cigarros” e alguns materiais ligados à actividade piscatória, também em menor quantidade.
O coordenador advertiu ainda que praticamente todo o ecossistema marinho é afectado pela poluição por plásticos, uma vez que estes materiais se fragmentam em microplásticos, partículas de reduzidas dimensões que permanecem no ambiente e entram na cadeia alimentar marinha.
Entre as medidas consideradas prioritárias para esta época, Keider Neves apontou o aumento da frequência da recolha de resíduos, a instalação de recipientes adequados para deposição de lixo, acções de sensibilização e o reforço da fiscalização para combater o abandono de resíduos e outras práticas lesivas ao ambiente.
Defendeu igualmente a monitorização regular da qualidade da água, da acumulação de resíduos e do estado de conservação dos ecossistemas costeiros, para que as decisões sejam sustentadas em dados científicos.
LT/CP
Inforpress/Fim
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