Cidade da Praia, 28 Fev (Inforpress) - A bióloga marinha Edita Magillviciute ressaltou hoje a importância das algas marinhas para a agricultura, pecuária e meio ambiente no processo de transformar essas plantas em biofertilizantes e outros produtos sustentáveis.
Magillviciute defendeu esta posição na Universidade Jean Piaget de Cabo Verde que sediou o workshop “Adaptação às Mudanças Climáticas: Através do Uso Sustentável dos Recursos Marinhos, da Valorização das Microalgas e Capacitação das Comunidades Locais”, reunindo pesquisadores, estudantes e membros da comunidade para debater o aproveitamento das algas marinhas.
Responsável pelo projecto, a bióloga salientou os avanços já alcançados e os próximos passos da pesquisa.
“As algas marinhas são recursos valiosos no oceano, cumprem um papel ecológico fundamental, mas quando chegam às praias e entram em decomposição, podem liberar gases prejudiciais à saúde. Nosso objectivo é transformar esse problema em uma solução sustentável, produzindo biofertilizantes e outros compostos úteis para a agricultura e pecuária”, explicou a bióloga.
O projecto teve início em Outubro de 2024 e tem duração de dois anos, sendo que durante esse período, os pesquisadores já realizaram testes com compostagem e produção de biofertilizantes a partir de diferentes tipos de algas, como sargassum, algas vermelhas e algas verdes, pelo que o próximo passo será testar a aceitação desses produtos pelas plantas.
“A experiência internacional já mostrou que as algas podem ser um excelente recurso agrícola. Agora, precisamos adaptar as metodologias à nossa realidade local e garantir que as comunidades se beneficiem desse conhecimento”, afirmou a bióloga.
Além da pesquisa científica, disse que o projecto tem um forte componente social. Segundo a coordenadora, é essencial que as comunidades locais, especialmente as mulheres, sejam capacitadas para actuar na recolha, monitorização e produção dos produtos derivados das algas.
Por outro lado, Salomé Gonçalves, participante do projecto “Amar Moia Moia”, debruçou-se sobre o impacto positivo da iniciativa.
“Antes, não sabíamos da importância das algas. Agora, entendemos que elas podem ser usadas como fertilizante e ração animal. Esse conhecimento nos dá novas oportunidades de trabalho”, afirmou.
Apesar dos avanços, a bióloga reforça a necessidade de mais financiamento para expandir a pesquisa e consolidar o uso sustentável das algas marinhas em Cabo Verde.
Os organizadores esperam que a iniciativa traga impactos positivos tanto para o meio ambiente quanto para a economia local, promovendo soluções inovadoras e sustentáveis diante das mudanças climáticas.
CG/SR//ZS
Inforpress Fim
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