
Mindelo, 23 Out (Inforpress) – O BCV prevê lançar, antes do final deste ano, o projecto-piloto do sistema de pagamentos “speed” que permitirá efectuar pagamentos através do telemóvel mesmo sem saldo, iniciativa para reforçar a inclusão financeira no país.
O anúncio foi feito hoje, no Mindelo, pelo governador do Banco de Cabo Verde (BCV), Óscar Santos, após presidir à abertura da conferência “Inclusão Financeira através do Mercado de Capitais”, realizada no âmbito das comemorações do 50.º aniversário da instituição.
Segundo o responsável, o lançamento do projecto depende ainda da articulação com outras entidades, nomeadamente os bancos, as operadoras de telecomunicações e a entidade reguladora, devido aos custos associados ao funcionamento do sistema.
“Acho que é um projecto muito bom, muito interessante”, afirmou Óscar Santos, explicando que o Banco Central está a trabalhar para que, antes do final do ano, seja escolhida uma ilha ou uma localidade remota para demonstrar o funcionamento do sistema.
A iniciativa pretende permitir que os utilizadores efectuem pagamentos através do telemóvel mesmo sem saldo, tornando os meios de pagamento digitais mais acessíveis, sobretudo em contextos onde o acesso a esses serviços pode ser condicionado.
O governador explicou que os custos iniciais do projecto terão de ser suportados pelo Banco Central, até que o sistema consiga ganhar dimensão e condições para funcionar de forma sustentável.
Óscar Santos enquadrou o “Speed” numa estratégia mais ampla de promoção da inclusão financeira que passa, igualmente, pelo desenvolvimento do mercado de capitais, pela modernização dos sistemas de pagamento e pelo reforço da educação financeira.
Questionado sobre a adesão da população aos meios de pagamento digitais, o governador considerou que os dados disponíveis não apontam para uma resistência generalizada às novas tecnologias, destacando o crescimento dos pagamentos online e através do Tele24, bem como a redução do uso de cheques.
“Eventualmente, a educação financeira é a parte essencial para ensinar as pessoas a usar os meios digitais”, afirmou, defendendo mais informação e o envolvimento de diferentes intervenientes para acelerar a utilização desses serviços.
O responsável explicou que Cabo Verde apresenta uma realidade diferente da de vários países africanos, devido à elevada taxa de bancarização, que estimou estar próxima dos 90 por cento (%).
Na sua perspectiva, a evolução tecnológica exige uma adaptação progressiva da sociedade, incluindo o desenvolvimento de projectos ligados à moeda digital do Banco Central.
Sobre as infra-estruturas nacionais de pagamentos, garantiu que o sistema funciona de forma eficiente e que o BCV acompanha o seu desempenho através de relatórios periódicos.
CD/HF
Inforpress/Fim
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