
Cidade da Praia, 23 Set (Inforpress) – A vice-presidente da Associação Cabo-verdiana de Surdos (ACS), Adelsa Tavares, defendeu hoje, na cidade da Praia, uma reflexão sobre o modelo de inclusão escolar dos alunos surdos, promovendo maior convivência com colegas ouvintes desde a infância.
A responsável falava à Inforpress à margem do encontro comemorativo do Dia Internacional das Línguas Gestuais, realizado sob o lema “A Língua Gestual: identidade, direitos e inclusão”, quando abordava a situação dos alunos surdos que frequentam a Escola do Brasil, em Achada Santo António, na cidade da Praia.
Adelsa Tavares explicou que, quando foi tomada a decisão de escolher uma escola para a inclusão de alunos surdos no ensino regular, a cidade da Praia foi alvo de um estudo, tendo sido seleccionada a Escola Eugénio Tavares, também em Achada Santo António, por reunir os critérios considerados adequados para esse processo.
Segundo a responsável, foi criada uma sala específica para os alunos surdos naquela escola, mas posteriormente a resposta foi transferida para a Escola do Brasil, decisão que, segundo afirmou, não foi do agrado da Associação Cabo-verdiana de Surdos.
“A transferência para a Escola do Brasil não foi do nosso agrado, porque as crianças precisam estar numa escola onde seja possível interagir com os colegas ouvintes”, afirmou Adelsa Tavares que considerou que a inclusão não deve limitar-se à integração dos alunos surdos numa estrutura escolar, mas proporcionar também condições para a convivência com a diversidade e para o desenvolvimento de relações com os demais alunos.
“Não podemos deixar as crianças acharem que são diferentes, porque são surdas”, defendeu a vice-presidente da ACS que justificou que a convivência desde a infância é igualmente importante para a construção de uma sociedade mais inclusiva, sobretudo numa altura em que Cabo Verde procura aumentar o número de intérpretes e reforçar a acessibilidade para as pessoas surdas.
“Se queremos ter mais intérprete na sociedade cabo-verdiana e mais inclusão, é preciso que desde crianças se conviva com a diversidade e entender as condições do outro”, sustentou Adelsa Tavares, admitindo, contudo, a necessidade de existência de turmas específicas para os alunos surdos, sobretudo como forma de garantir melhores condições de aprendizagem e um acompanhamento adequado.
A responsável indicou que a nova direcção da Associação Cabo-verdiana de Surdos deverá reflectir sobre esta questão e sobre o modelo de inclusão que melhor responda às necessidades das crianças surdas.
No mês de Agosto, também a Associação de Familiares e Amigos de Surdos de Cabo Verde (AFAS-CV) realizou um “bazar solidário” para angariar fundos destinados à criação de condições mínimas de funcionamento na sua futura sede, em Achada Grande Trás, na Praia, porque os espaços nas instalações da Escola do Brasil, em Achada Santo António, terá de ser desocupada, o que põe em causa o acolhimento dos surdos e desenvolvimento das actividades da associação.
DR/HF
Inforpress/Fim
Partilhar