Líder do Hezbollah recusa desarmamento e promete "inferno" a Israel

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Líder do Hezbollah recusa desarmamento e promete "inferno" a Israel
12/05/26 - 12:45 pm

Beirute, 12 Mai  (Inforpress) – O líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou hoje que o Líbano discuta o desarmamento do grupo libanês pró-iraniano com Israel e ameaçou transformar o conflito com o exército israelita num inferno.

"As armas e a Resistência não dizem respeito a ninguém fora do Líbano (...) é uma questão interna libanesa que não faz parte das negociações com o inimigo", disse Qassem numa mensagem dirigida aos combatentes do Hezbollah.

"Não nos renderemos e transformaremos a batalha num inferno para Israel", acrescentou, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A declaração surge numa altura em que o Líbano e Israel deverão realizar uma nova ronda de negociações em Washington, na próxima quinta-feira.

Israel exige ao Governo do Líbano o desarmamento do Hezbollah, entre outras condições para cessar as hostilidades contra o país vizinho.

O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Médio Oriente ao atacar Israel em 02 de março, dois dias depois de o líder iraniano, Ali Khamenei, ter sido morto no início da ofensiva israelo-americana contra Teerão.

Israel alegou que os ataques do Hezbollah constituíam uma violação do cessar-fogo de novembro de 2024, que tinha interrompido a guerra que ocorria então no sul do Líbano desde outubro de 2023.

O conflito entre o Hezbollah e Israel remonta a 1982, quando a organização política e paramilitar fundamentalista foi fundada para combater a invasão do Líbano por Israel.

Naim Qassem, o clérigo xiita que sucedeu a Hassan Nasrallah, morto em Beirute num ataque do exército israelita em 27 de setembro de 2024, rejeitou também a realização de negociações diretas do Líbano com Israel.

"Apelamos à opção por negociações indiretas, em que os trunfos estejam nas mãos do negociador libanês, e ao abandono das negociações diretas, que apenas pressupõem benefícios para Israel e concessões gratuitas por parte das autoridades libanesas", afirmou.

Qassem assegurou que o Hezbollah vai manter a luta armada contra Israel pelo tempo que for necessário.

"Não nos submeteremos nem nos renderemos, e continuaremos a defender o Líbano e o seu povo, por muito tempo que passe e por maiores que sejam os sacrifícios, que são menores do que o preço da rendição", afirmou.

"O inimigo acabará por ceder, tarde ou cedo", acrescentou, também citado pela agência de notícias espanhola EFE.

O Líbano é um dos países mais atingidos pela guerra israelo-americana contra o Irão, com 2.869 mortos desde 02 de março até segunda-feira, de acordo com um balanço oficial divulgado Ministério da Saúde libanês.

Israel recusou incluir o Líbano no cessar-fogo negociado entre os Estados Unidos e o Irão que entrou em vigor em 08 de Abril, para permitir conversações sob mediação do Paquistão.

Posteriormente, Israel concordou com uma trégua em 17 de Abril para negociar com as autoridades de Beirute o fim do conflito, mas os combates nunca cessaram, com as forças israelitas e o Hezbollah a trocar disparos diariamente.

Os combates têm ocorrido sobretudo no sul do Líbano, onde Israel controla uma faixa com cerca de 10 quilómetros a partir da fronteira.

O Hezbollah tem um braço armado, o Conselho da Jihad, e integra o chamado "Eixo da Resistência", uma coligação de grupos radicais financiada pelo Irão para atuar contra interesses israelitas e norte-americanos na região.

A ala política do Hezbollah, o partido Lealdade à Resistência, conta com 15 deputados (mais três do que em 2018) dos 178 que constituem o parlamento do Líbano.

Inforpress/Lusa/fim

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