Edneia Barros, Soraia Ramos de Deus e Daniel Almeida vencem Prémio Nacional de Jornalismo 2026

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Edneia Barros, Soraia Ramos de Deus e Daniel Almeida vencem Prémio Nacional de Jornalismo 2026
04/05/26 - 08:07 pm

Cidade da Praia, 04 Mai (Inforpress) – A jornalista Edneia Barros (RCV), Soraia Ramos de Deus (ACI) e o jornalista Daniel Almeida (A Nação) foram os vencedores do Prémio Nacional de Jornalismo 2026, numa edição marcada por trabalhos de investigação e abordagem de "forte impacto social".

Na categoria de rádio, Edneia Barros venceu com a reportagem “Infância sem colo, filhos da partida: o preço invisível da emigração”, que analisa o impacto da emigração nas crianças e adolescentes que permanecem em Cabo Verde, muitas vezes entregues aos cuidados de familiares, em contextos de vulnerabilidade.

Em declarações à imprensa, a jornalista considerou a distinção “um sentimento de agradecimento, mas sobretudo de responsabilidade”, sublinhando a sensibilidade do tema tratado.

“Cabo Verde sempre foi um país de emigração, mas hoje o contexto é diferente. As crianças e os adolescentes estão mais expostos às novas tecnologias e às mudanças sociais, o que influencia o seu crescimento e, em alguns casos, a perda de referências e valores”, afirmou.

Acrescentou que existem situações em que os avós enfrentam dificuldades significativas no acompanhamento das crianças, evidenciando fragilidades sociais que, no seu entender, devem ser debatidas publicamente.

A jornalista destacou ainda que o trabalho resultou de uma recolha de informação em várias ilhas, nomeadamente Santiago, Fogo e Brava, permitindo uma visão mais abrangente do fenómeno.

Nesta categoria, foi atribuída uma menção honrosa a Samira Furtado, da Rádio Educativa, pelo trabalho “Inclusão Escolar em Cabo Verde: o direito que ainda não chega para todos”.

Na televisão, o prémio foi atribuído a Soraia Ramos de Deus, da Agência Cabo-verdiana de Imagem (ACI), pela reportagem “Litoral à venda”. A jornalista da TCV Nazaré Barros recebeu menção honrosa com o trabalho “Pirâmide da Ilusão”.

Na imprensa escrita, Daniel Almeida, do jornal A Nação, venceu com a investigação “Contrato com CV Interilhas vira caso de polícia”, que aborda questões relacionadas com a gestão de recursos públicos e eventuais encargos para o Estado.

O jornalista defendeu a importância de um jornalismo mais interventivo, sublinhando a necessidade de maior escrutínio sobre os poderes públicos para evitar o uso indevido de dinheiros públicos.

Referiu ainda dificuldades no acesso a fontes oficiais em trabalhos de natureza investigativa.

“Fecham-se em copas e, quando os temas são sensíveis, não colaboram, chegando por vezes a criar situações que descredibilizam a notícia”, afirmou, acrescentando que, num país pequeno como Cabo Verde, muitas fontes receiam falar publicamente, o que obriga ao recurso ao anonimato.

Ainda assim, defendeu que o jornalista não deve recuar perante situações que possam lesar o erário público.

“O jornalista deve controlar os poderes e expor aquilo que não está bem”, reforçou, alertando que a falta de colaboração institucional pode contribuir para um jornalismo “mais de agenda e sem substância”.

Nesta categoria, a jornalista do Balai Cristina Morais recebeu menção honrosa com o trabalho “Um legado que resiste ao tempo”.

A presidente do júri, Marilene Pereira, considerou que esta edição revela uma evolução na qualidade dos trabalhos apresentados, com maior incidência em investigações aprofundadas e temas sociais e económicos.

Ainda assim, apontou a rádio como uma “surpresa negativa”, devido ao reduzido número de candidaturas.

No total, concorreram 43 trabalhos: três na rádio, 18 na imprensa escrita e 22 na televisão, evidenciando um jornalismo cada vez mais focado no aprofundamento das realidades nacionais e no reforço do debate público.

CM/JMV

Inforpress/Fim.

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