
Mindelo, 04 Nov (Inforpress) – Quatro artesãos experientes de diferentes ilhas participam numa residência criativa em São Vicente, onde exploram matérias-primas locais para produzir peças que serão apresentadas na 11.ª edição da Feira Urdi, de 25 a 29 de Novembro.
A iniciativa reúne Gustavo Duarte e João Ramos, ambos de Santiago, Domingos Silva, do Sal, e Albertino Silva, de São Vicente, que aceitaram o desafio de iniciar o trabalho sem trazer qualquer matéria-prima, procurando na ilha os recursos necessários à criação das suas peças.
Em declarações à Inforpress, Gustavo Duarte explicou que a residência pretende demonstrar que um artesão deve ter capacidade para identificar e aproveitar os recursos disponíveis em qualquer lugar onde se encontre.
“Um bom artesão, em qualquer parte onde estiver, a matéria-prima já existe. É ele que tem que descobrir a matéria-prima”, afirmou, explicando que o grupo procura trabalhar com materiais que, muitas vezes, não são valorizados pelas pessoas.
O mestre artesão rejeitou, entretanto, a ideia de que estão a “transformar lixo em luxo”, esclarecendo que os materiais recolhidos devem ser encarados como matéria-prima e não como lixo.
Além das criações individuais, os participantes pretendem produzir uma obra colectiva, que reunirá as técnicas e experiências de cada um, numa demonstração da importância da união e da partilha entre os artesãos.
Segundo Gustavo Duarte, a residência terá também uma dimensão pedagógica, estando prevista a recepção de estudantes, monitoras de jardins-de-infância e crianças, para dar a conhecer as possibilidades de aproveitamento dos recursos naturais, incentivar a preservação ambiental e valorizar a produção nacional.
Por sua vez, o artesão João Ramos, natural de Santiago, considerou a experiência positiva, sobretudo pelo desafio de criar peças com materiais diferentes daqueles a que está habituado.
“Estou bastante satisfeito com este desafio e penso que vamos produzir grandes obras”, afirmou, referindo que esta é a primeira vez que participa numa residência deste género.
Já Domingos Silva, artesão da ilha do Sal, manifestou a expectativa de que o grupo consiga ultrapassar os obstáculos e constrangimentos encontrados durante o processo criativo.
“Um artista, em qualquer parte onde estiver, mesmo que tenha dificuldades, continua a produzir, porque tem aquela capacidade criativa que consegue tornar qualquer coisa em algo de valor”, observou.
Entre os materiais utilizados pelos artesãos estão o coco, a casca de coco, o espeto de coqueiro, utilizado pelos antepassados em diferentes trabalhos artesanais, e os búzios, entre outros recursos encontrados em São Vicente.
As peças produzidas serão expostas durante a 11.ª edição da Feira Urdi, que decorrerá no Mindelo, de 25 a 29 de Novembro, sob o signo dos 50 anos de memória da Cooperativa Resistência.
CD/JMV
Inforpress/Fim
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