
São Filipe, 30 Out (Inforpress) – A ocorrência de casos de sofrimento e mortes de equinos no Fogo levou à realização da conferência nacional para analisar os problemas da criação e do desporto hípico e definir medidas de prevenção e protecção animal.
A iniciativa é organizada pela Ordem dos Médicos Veterinários de Cabo Verde, em parceria com a Câmara Municipal de São Filipe e o Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, e reúne durante dois dias criadores, proprietários de cavalos, técnicos e instituições ligadas ao sector.
Segundo o médico veterinário João Guilherme Lopes da Silva, a conferência surgiu da necessidade de analisar as ocorrências registadas ultimamente, que provocaram sofrimento e mortes de animais, e encontrar soluções para os problemas que afectam a criação e o desporto hípico na ilha do Fogo e a nível nacional.
O responsável defendeu uma maior proximidade entre as autoridades competentes e os criadores, através de apoio técnico, implementação de um programa nacional de reprodução, melhoria da saúde animal, registos equinos, promoção do bem-estar e regulamentação das provas desportivas.
João Guilherme Lopes da Silva considerou que a criação de cavalos em Cabo Verde é uma realidade que merece maior atenção das autoridades, salientando que os equinos fazem parte do património genético animal e da história do país, desempenhando funções na agricultura, transporte, lazer e desporto.
A conferência está estruturada em três eixos e o primeiro contemplou visitas técnicas aos criadores e proprietários, para avaliar as condições de criação e conhecer os principais constrangimentos.
O segundo, que decorre hoje, inclui abordagens sobre bem-estar animal, evolução da criação de equinos em Cabo Verde, boas práticas, utilização de cavalos em provas desportivas e controlo antidoping.
O programa termina sábado com um workshop técnico destinado a realizar um diagnóstico participativo dos problemas da criação de cavalos, do desporto hípico e do turismo equestre, bem como definir orientações para uma estratégia nacional para o sector.
Por seu turno, o delegado substituto do Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, Jorge Gonçalves, destacou a importância da saúde dos equinos, considerando-a um indicador da qualidade das práticas de manejo, das condições ambientais e do acesso aos serviços veterinários.
Entre os principais desafios apontou as doenças infeciosas, problemas nutricionais, parasitas, lesões e falta de acesso a cuidados veterinários regulares, defendendo medidas preventivas como vacinação, alimentação equilibrada, alojamento adequado e avaliações veterinárias periódicas.
Jorge Gonçalves sublinhou ainda que proteger a saúde e o bem-estar dos equinos significa também preservar a cultura, o desporto, o turismo e as actividades económicas das comunidades que dependem destes animais.
JR/JMV
Inforpress/Fim
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