
Cidade da Praia, 29 Out (Inforpress) – A criação da União Sindical dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa visa reforçar a articulação dos trabalhadores e a intervenção junto dos governos, afirmou hoje a presidente da UNTC-CS, Joaquina Almeida.
A presidente da União Nacional dos Trabalhadores de Cabo Verde – Central Sindical (UNTC-CS), falava à imprensa à margem da visita de uma delegação dos PALOP à Presidente da República interina, Janira Hopffer Almada, no âmbito de um encontro sindical que reúne representantes africanos e parceiros internacionais.
Segundo disse, a visita permitiu aos secretários-gerais das centrais sindicais dos PALOP cumprimentar a Presidente da República interina e trocar impressões, numa altura em que os participantes se preparam para aprovar a criação da nova organização.
A dirigente explicou que a iniciativa resulta da necessidade de reforçar a representação dos trabalhadores dos países africanos de língua portuguesa, cuja voz considera ter menor expressão num continente onde predominam outras línguas oficiais, nomeadamente o inglês e o francês.
“Há uma necessidade de nos juntarmos para que a nossa voz, a voz dos trabalhadores de língua oficial portuguesa, seja ouvida em África e no mundo, particularmente na Organização Internacional do Trabalho (OIT)”, declarou.
Apontou ainda dificuldades de comunicação e de acesso à tradução em português durante reuniões internacionais, considerando que uma actuação conjunta poderá contribuir para ultrapassar esses constrangimentos e facilitar a partilha de experiências e conhecimentos.
Aquela responsável anunciou igualmente que a delegação deverá visitar o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), sexta-feira, 30, para conhecer o sistema de protecção social cabo-verdiano, que considerou uma referência em África e a nível internacional.
Por sua vez, o secretário-geral da Confederação Nacional de Sindicatos Independentes de Moçambique, Jeremias Tibana, considerou que a nova organização poderá aprofundar o diálogo com os governos e reforçar a defesa dos interesses dos trabalhadores.
Jeremias Tibana defendeu uma articulação mais sólida entre os sindicatos, sobretudo na promoção e aplicação das convenções internacionais do trabalho, através de uma intervenção concertada junto dos governos.
“É sempre importante ouvir a parte do trabalhador e colocar na mesa as dificuldades que enfrenta”, sublinhou, defendendo uma distribuição da riqueza que tenha em consideração os trabalhadores e os empregadores e o contributo de ambos para a produção económica.
Questionado sobre o início oficial das actividades da organização, Tibana afirmou que os próximos passos dependerão das decisões da assembleia constituinte, prevista para sexta-feira, 30, da qual deverá resultar um plano de acção de curto prazo.
O encontro reúne representantes de organizações sindicais africanas e parceiros internacionais, incluindo a OIT e a Galiza.
A Guiné Equatorial participa como convidada, após aderir à CPLP, sendo a aprovação da União Sindical dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa o principal ponto dos trabalhos, com vista a reforçar a cooperação sindical e a representação dos trabalhadores.
KA/ZS
Inforpress/Fim
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