
Cidade Velha, 30 Set (Inforpress) - Representantes da sociedade civil de Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe defenderam hoje, na Cidade Velha, o reforço do trabalho em rede entre organizações para partilhar capacidades e encontrar respostas conjuntas a desafios comuns.
A posição foi sustentada à margem do terceiro dia da I Semana da Sociedade Civil em Cabo Verde, evento inserido no projecto “Construir em Parceria a Sociedade Civil em Rede em Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe”.
Segundo a representante da Associação para a Cooperação Entre os Povos (ACEP), Ana Filipa Oliveira, a iniciativa visa consolidar uma agenda de trabalho conjunta entre as organizações dos três países lusófonos, superando a actuação isolada num cenário de escassez de recursos.
“Mais do que nunca, acho que é importante construir junto, e conseguir também perceber como podemos capitalizar o que cada um tem para dar”, afirmou.
Ana Filipa Oliveira explicou que a plataforma, financiada ao longo de três anos pela cooperação portuguesa, apostou na capacitação, na investigação e na advocacia social, resultando em estudos sobre tendências da cooperação internacional e desafios da juventude.
Para a responsável, a cooperação entre organizações torna-se particularmente importante num contexto marcado pela redução do financiamento disponível para a sociedade civil, exigindo novas formas de organização e articulação.
A necessidade de construir redes entre organizações foi igualmente destacada pelo representante da Tiniguena da Guiné-Bissau, Erikson Mendonça, que considerou que os três países enfrentam desafios com vários pontos de convergência.
“Vamos avaliar como podemos enfrentar juntos estes desafios comuns”, afirmou.
Segundo disse, apesar das diferenças existentes entre os contextos nacionais, a troca de experiências permite identificar problemas semelhantes e procurar respostas colectivas, reforçando a capacidade de intervenção das organizações.
O representante guineense defendeu ainda que a cooperação entre sociedade civil, Estado e parceiros internacionais deve assentar numa lógica de complementaridade, em vez de actuações separadas.
Também o representante da Federação das Organizações Não-Governamentais de São Tomé e Príncipe (FONG-STP) destacou a importância da troca de experiências proporcionada pela iniciativa, considerando que os problemas enfrentados pelas organizações nos diferentes países apresentam várias semelhanças.
Segundo Cristiano Costa, embora os países tenham contextos diferentes, existem desafios comuns que justificam uma maior articulação entre as organizações, nomeadamente na procura de estratégias para aumentar a sua capacidade de intervenção.
A Semana da Sociedade Civil inclui, além dos momentos de reflexão e debate, actividades de escuta territorial, com a participação de organizações comunitárias, municípios, instituições públicas e academia.
A iniciativa procura ainda levar a discussão para além dos centros de decisão, tendo nesta primeira edição abrangendo os municípios da Ribeira Grande de Santiago e de São Domingos.
CM/CP
Inforpress/Fim
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