
Sal Rei, 03 Set (Inforpress) – O projecto-piloto de alargamento do horário escolar na Boa Vista gera expectativa entre pais, preocupação nos professores e cautela na Educação, que prepara condições logísticas para a sua implementação no novo ano lectivo.
A ilha a Boa Vista integra, juntamente com as do Sal e Santiago, as três ilhas abrangidas pelo projecto-piloto de alargamento do horário escolar anunciado recentemente pelo Ministério da Educação, medida que será implementada no ano lectivo 2026/2027.
Em declarações à Inforpress, o encarregado de educação Jair Mendes, activista desportivo e comunitário no bairro de Boa Esperança, considerou a iniciativa “excelente”, por entender que poderá responder às dificuldades enfrentadas por famílias que cumprem longas jornadas de trabalho na ilha.
“Na Boa Vista, há muitos pais que passam mais de dez horas fora de casa e mães que trabalham por turnos. As crianças acabam por passar metade do dia sozinhas ou na rua, sem nada para fazer”, afirmou.
Apesar do acolhimento favorável, Jair Mendes alertou para a necessidade de uma preparação logística rigorosa, de modo a evitar dificuldades na execução do projecto.
“O senão é a logística. Para acolher uma criança além do horário normal, é preciso ter estruturas físicas adequadas e pessoas preparadas. Não se pode implementar uma medida destas à pressa”, defendeu o pai e activista.
Por seu lado, os professores manifestam apreensão perante a falta de esclarecimentos sobre o funcionamento do projecto e as limitações infraestruturais das escolas.
A professora Izilda Varela disse à Inforpress que a medida continua pouco clara para os docentes, alertando para o risco de sobrecarga profissional.
“O Ministério fala no projecto-piloto, mas não explica como vai funcionar na prática. O professor já vive com desgastes físicos e psicológicos enormes, acumulando o papel de docente, pai e psicólogo. Esta responsabilidade não pode ser atirada para as costas do professor”, frisou.
Izilda Varela chamou igualmente a atenção para a realidade dos estabelecimentos que funcionam em regime de dois turnos, como a Escola Nova, questionando a disponibilidade de espaços para acolher as actividades previstas.
A docente defendeu ainda uma maior articulação com instituições parceiras para dinamizar as actividades extracurriculares, de forma a garantir uma implementação adequada do projecto.
Ouvida pela Inforpress, a nova delegada do Ministério da Educação na Boa Vista, Clara Barros, recentemente empossada no cargo, explicou que a implementação do projecto-piloto se encontra actualmente em fase de diagnóstico e preparação logística.
Segundo a responsável, as equipas locais estão no terreno a proceder ao levantamento e procura de espaços e infraestruturas passíveis de adaptação, bem como a estabelecer contactos com entidades e profissionais que poderão apoiar a operacionalização das actividades.
Clara Barros indicou que os detalhes sobre a implementação do projecto-piloto na ilha deverão ser conhecidos em breve.
MGL/JMV
Inforpress/fim
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