Santiago Norte: ICCA faz balanço positivo de “Nôs Férias Protegidas” e alerta para riscos que persistem

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Santiago Norte: ICCA faz balanço positivo de “Nôs Férias Protegidas” e alerta para riscos que persistem
03/09/26 - 04:45 pm

Assomada, 03 Set (Inforpress) – A delegação do ICCA fez um balanço positivo das acções de sensibilização realizadas em Santiago Norte durante as férias, mas alertou para a persistência de riscos à segurança das crianças.

A avaliação foi feita à Inforpress pela directora do Centro de Emergência Infantil de Santiago Norte, Elisângela Gonçalves, que destacou a aposta do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) na prevenção e na proximidade com as famílias e comunidades.

Durante a jornada, que decorreu ao longo do período de férias escolares, as equipas do ICCA, através da delegação e do Centro de Emergência Infantil, estiveram em diferentes localidades e municípios de Santiago Norte, levando mensagens de sensibilização através de visitas porta-a-porta, conversas abertas e actividades com crianças e adolescentes.

Segundo a responsável, o trabalho incidiu sobretudo na prevenção do abuso sexual, negligência, trabalho infantil, violência e outras situações susceptíveis de colocar em risco os direitos das crianças, aproveitando também actividades recreativas, colónias de férias e intercâmbios para reforçar as mensagens de protecção.

Em Ribeira da Barca, comunidade piscatória do município de Santa Catarina, uma das preocupações levantadas foi a exposição de crianças que frequentam o mar sem acompanhamento de adultos.

Em Rincão, os técnicos alertaram para a permanência de menores na rua até altas horas da noite e para a importância de os pais saberem onde estão, com quem se encontram e que actividades realizam.

Elisângela Gonçalves chamou igualmente a atenção para crianças que permanecem sozinhas em casa ou sob os cuidados de terceiros enquanto os pais trabalham, considerando que a ideia de que a criança está segura por estar em casa pode esconder outros riscos.

“Perigo é de dia, perigo é de noite, perigo é no tempo escolar e perigo é no tempo de férias”, salientou, defendendo uma vigilância permanente por parte dos pais, familiares e da comunidade.

A directora considerou que uma das principais constatações do trabalho no terreno foi a necessidade de combater a desinformação. Segundo explicou, ainda existem pessoas que entendem que casos de violência, abuso, tráfico ou violação dos direitos das crianças acontecem apenas “na casa do vizinho”, noutra ilha ou noutro país.

“Tem pessoas que acham que isso é só televisão, que é uma coisa extraordinária que acontece noutras realidades”, afirmou, frisando que a prevenção exige que as comunidades reconheçam os riscos e saibam identificá-los.

Além da sensibilização directa, o programa proporcionou momentos de intercâmbio entre crianças de diferentes localidades. O Centro de Emergência Infantil de Santa Catarina recebeu dois grupos provenientes da Praia e de Santa Cruz, num total de cerca de 60 crianças, que participaram em visitas e actividades educativas, incluindo deslocações ao Parque de Poilão.

Para Elisângela Gonçalves, a experiência reforça a importância de levar os técnicos para fora das instituições e aproximá-los das comunidades.

A última acção de “Nôs Férias Protegidas” em Santiago Norte acontece sexta-feira, em Santa Cruz, mas a directora garante que o fim da jornada não representa o encerramento das acções de prevenção, defendendo a continuidade do trabalho junto das famílias para evitar situações de violência, negligência, abuso e outras violações dos direitos das crianças e adolescentes.

MC/JMV

Inforpress/Fim

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