
Tarrafal, 22 Ago (Inforpress) – A reduzida presença masculina nas feiras de saúde voltou hoje a motivar um apelo à prevenção e ao acompanhamento médico regular, com profissionais e utentes a defenderem uma mudança de comportamento entre os homens.
A preocupação foi manifestada durante uma feira de saúde realizada na Delegacia de Saúde do Tarrafal, promovida pela Fundação de Caridade dos Chineses e Ultramarinos de Cabo Verde, em parceria com a Delegacia de Saúde local e a 22.ª equipa de médicos chineses, que disponibilizou consultas e outros serviços à população.
Presente na feira, a primeira-dama, Débora Katiza Carvalho, manifestou preocupação com a participação masculina, salientando que, em quase todas as feiras realizadas, mais de 90 por cento dos participantes são mulheres.
Para a primeira-dama, a fraca participação dos homens revela a necessidade de reforçar a sensibilização desde a infância, envolvendo rapazes, adolescentes, jovens e adultos na construção de uma cultura de prevenção.
“Não podemos deixar os homens para trás”, apelou, defendendo que os cuidados de saúde devem ser assumidos por toda a família e comunidade, independentemente da idade ou do sexo.
O médico da Delegacia de Saúde do Tarrafal, Augusto Coelho, confirmou que a situação persiste, explicando que, nas actividades de saúde, é habitual registar-se uma maior afluência de mulheres e crianças, enquanto os homens apresentam pouca adesão, realidade que, segundo o clínico, também se verifica no dia-a-dia.
Segundo Augusto Coelho, muitos homens procuram os serviços de saúde apenas quando sentem algum sintoma, privilegiando o tratamento imediato em vez do acompanhamento preventivo.
“Saúde é um conjunto de hábitos e costumes ao longo da vida”, sublinhou, defendendo a realização de controlos regulares, a melhoria da alimentação, a prática de exercício físico e a redução do consumo de álcool.
O médico chamou ainda a atenção para factores como o consumo excessivo de sal, a alimentação pouco equilibrada e o sedentarismo, comportamentos que podem contribuir para o surgimento de doenças, inclusive entre homens jovens.
A mesma preocupação foi partilhada por Adolfo Varela, que considerou necessário que os homens passem a encarar os exames e o acompanhamento médico como parte da rotina.
“Temos que actuar mais na prevenção”, defendeu, alertando que a falta de regularidade nos controlos dificulta a identificação atempada de riscos e pode comprometer uma resposta eficaz perante determinadas doenças.
Já Paulo Lopes apontou a persistência de uma mentalidade machista como um dos obstáculos à procura dos serviços de saúde e incentivou os homens a ultrapassarem esse comportamento.
Para os intervenientes, a prevenção deve deixar de estar associada apenas ao aparecimento de sintomas e passar a fazer parte do quotidiano, com os homens a assumirem maior responsabilidade pelo próprio estado de saúde.
A feira de saúde, além de proporcionar consultas e outros serviços à população, serviu também para reforçar a mensagem de que uma sociedade saudável depende da participação de todos e de que os homens devem procurar os serviços de saúde antes do aparecimento de doenças.
MC/JMV
Inforpress/Fim
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