
São Filipe, 13 Ago (Inforpress) – O Presidente da República, José Maria Neves, propôs hoje a criação de um Fundo da Diáspora para financiar o desenvolvimento do Fogo, defendendo novas formas de mobilização de recursos e participação dos emigrantes.
A proposta foi apresentada durante a V Conferência dos Municípios Geminados com Mosteiros, onde o chefe de Estado defendeu a necessidade de ultrapassar os modelos tradicionais de geminação e apostar em novas formas de cooperação e financiamento do desenvolvimento local.
José Maria Neves sugeriu que, para além do apoio das remessas dos emigrantes às famílias, seja estudada a criação de um fundo específico para investimentos na ilha do Fogo, envolvendo a diáspora cabo-verdiana e o sector empresarial.
“Imagine se cada foguense investisse 10 dólares por mês na criação deste fundo”, afirmou o Presidente da República, considerando que “não há limites para a nossa imaginação” quando se trata de encontrar novas soluções para financiar o desenvolvimento.
Para o chefe de Estado, a participação das empresas nacionais e da diáspora deve ser reforçada, mobilizando recursos financeiros, conhecimento, competências e capital social existentes dentro e fora do país.
José Maria Neves defendeu igualmente que os protocolos de geminação devem evoluir para abranger hospitais, universidades, escolas de formação profissional, associações empresariais e comunidades da diáspora, criando redes de cooperação capazes de gerar resultados concretos para as populações.
O Presidente da República apontou ainda as oportunidades existentes no quadro da parceria especial entre Cabo Verde e a União Europeia, bem como na cooperação entre os arquipélagos da Macaronésia – Açores, Cabo Verde, Canárias e Madeira –, sobretudo nos domínios do ambiente marinho e das economias azul e verde.
Neste contexto, destacou a iniciativa da Associação Nacional dos Municípios Cabo-verdianos de criação de uma rede de “municípios azuis amigos do oceano”, considerando-a uma oportunidade para reforçar a cooperação e mobilizar recursos.
José Maria Neves considerou que os municípios e as associações municipalistas dispõem de importantes recursos humanos, financeiros e de conhecimento, com potencial nas áreas dos negócios, transportes, indústria, saúde, ensino superior, inovação, tecnologias digitais, cultura e economia.
Defendeu, contudo, que essas potencialidades devem ser transformadas em iniciativas concretas, capazes de produzir resultados visíveis e criar novas oportunidades de crescimento inclusivo.
O chefe de Estado apelou também a uma maior aproximação entre a administração pública local e o sector privado, defendendo uma administração menos burocrática e mais capaz de mobilizar competências e recursos empresariais para o desenvolvimento local e regional.
“O futuro do espaço público passa por mais autonomia, mais ousadia, mais inovação e mais cooperação”, afirmou, defendendo uma cooperação multinível que envolva diferentes sectores.
Para José Maria Neves, municípios financeiramente sustentáveis, tecnicamente capacitados e abertos ao mundo estarão melhor preparados para construir territórios mais resilientes, competitivos e inclusivos.
JR/JMV
Inforpress/Fim
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