Vendedeiras de Ponta Belém realocadas após incêndio queixam-se de fracas vendas e demora nos apoios

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Vendedeiras de Ponta Belém realocadas após incêndio queixam-se de fracas vendas e demora nos apoios
10/06/26 - 08:01 pm

Cidade da Praia, 10 Jun (Inforpress) – As vendedeiras afectadas pelo incêndio de Ponta Belém afirmaram hoje que o espaço provisório onde foram realojadas para retomar a actividade comercial não tem garantido o movimento de clientes esperado, lamentando a demora na concretização dos apoios anunciados.

Quase duas semanas após o incêndio que destruiu bancas, mercadorias e fontes de rendimento de várias comerciantes, as mulheres instaladas no novo espaço dizem enfrentar dificuldades crescentes para assegurar o sustento das respectivas famílias e cumprir compromissos financeiros assumidos antes da tragédia.

Durante uma visita da Inforpress ao local, várias vendedeiras relataram que o fluxo de clientes permanece reduzido, situação que tem dificultado a recuperação das actividades económicas.

Apesar de reconhecerem que o espaço oferece melhores condições de segurança, com portões e vigilância, as comerciantes sustentam que a localização não tem atraído compradores em número suficiente para garantir rendimentos mínimos.

“Ali não se vende nada. É melhor ficar em casa do que vir para ali”, afirmou Cláudia Tavares.

As preocupações estendem-se também à demora na concretização dos apoios anunciados pelo Governo e pela Câmara Municipal da Praia.

Segundo as comerciantes ouvidas pela Inforpress, representantes da autarquia procederam ao levantamento de informações e solicitaram cópias de documentos de identificação, sem, contudo, avançar indicações sobre prazos ou procedimentos para a disponibilização dos apoios.

As vendedeiras referem ainda que, ao contrário do Governo, que recolheu números de conta bancária para efeitos de processamento dos apoios, a Câmara Municipal não transmitiu informações concretas sobre os passos seguintes nem sobre o calendário de entrega dos benefícios anunciados.

Muitas afirmam encontrar-se numa situação financeira delicada, agravada pela perda das mercadorias consumidas pelas chamas e pela ausência de receitas suficientes para fazer face às despesas diárias.

Algumas comerciantes relatam dificuldades para garantir a alimentação das famílias e honrar dívidas contraídas junto de fornecedores, numa altura em que as vendas continuam muito abaixo dos níveis registados antes do incêndio.

As críticas dirigem-se também ao ritmo dos trabalhos no antigo espaço comercial. Segundo as vendedeiras, a limpeza da área afectada já foi concluída, mas as obras de recuperação ainda não tiveram início.

Entre as vendedeiras, Nadira Cabral questiona o silêncio do presidente da Câmara Municipal da Praia, Francisco Carvalho, defendendo uma comunicação mais próxima com os afectados e respostas mais claras sobre os apoios e o processo de reconstrução.

O incêndio de 31 de Maio destruiu parte significativa da área de comercialização e armazenamento de mercadorias em Ponta Belém, provocando prejuízos avultados e afectando dezenas de operadores económicos dependentes daquela actividade para o sustento das respectivas famílias.

KF/JMV

Inforpress/Fim

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