Mundial 2026: Jorge Tolentino defende que participação de Cabo Verde no certame deve deixar legado para o desporto nacional

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Mundial 2026: Jorge Tolentino defende que participação de Cabo Verde no certame deve deixar legado para o desporto nacional
10/06/26 - 06:47 pm

Cidade da Praia, 10 Jun (Inforpress) – O antigo ministro-adjunto do Primeiro-Ministro para a Cultura e Desporto Jorge Tolentino defendeu hoje que a histórica qualificação de Cabo Verde para o Mundial de Futebol deve servir de impulso ao reforço das infra-estruturas, formação e organização desportivas.

Num texto divulgado nas redes sociais e dedicado ao presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF), Mário Semedo, Jorge Tolentino traçou um retrato da evolução do futebol cabo-verdiano desde os tempos anteriores à independência até à qualificação dos Tubarões Azuis para a fase final do Campeonato do Mundo.

Segundo o antigo governante, o futebol sempre ocupou um lugar especial na sociedade cabo-verdiana, sendo praticado nos bairros, aldeias, escolas e campos improvisados, muitas vezes em condições difíceis, mas com forte adesão popular.

Para Tolentino, as gerações mais antigas transmitiram às seguintes o gosto pelo futebol, contribuindo para a consolidação de clubes, rivalidades saudáveis e de uma identidade desportiva nacional que viria a fortalecer-se ao longo das décadas.

O autor recordou igualmente que, após a independência nacional, em 1975, o país enfrentava desafios prioritários em áreas como a alimentação, saúde, abastecimento, transportes e infra-estruturas, mas que o desporto nunca foi relegado para segundo plano.

Nesse contexto, destacou o papel desempenhado pelos primeiros responsáveis governamentais do sector, pelos professores de Educação Física e pelos Jogos Escolares, que, segundo afirmou, contribuíram para a massificação da prática desportiva e para o reforço da unidade nacional.

Jorge Tolentino sublinhou também a importância das participações da selecção nacional em torneios da sub-região oeste-africana, considerando que essas experiências foram decisivas para o crescimento competitivo do futebol cabo-verdiano.

"O Futebol foi porventura o primeiro sector a soletrar a ideia de integração regional", escreveu, acrescentando que os primeiros internacionais cabo-verdianos actuaram em contextos marcados por limitações logísticas, mas demonstraram coragem e espírito de missão.

No texto, presta homenagem às várias gerações de jogadores, treinadores, dirigentes, árbitros, equipas médicas, jornalistas e clubes que contribuíram para a afirmação da modalidade no arquipélago.

O antigo ministro destacou ainda o papel da Taça Amílcar Cabral, criada em 1979, como uma das principais plataformas de desenvolvimento e projecção do futebol da África Ocidental, lembrando que a realização da competição em Cabo Verde, em 1982, representou um marco para o crescimento da modalidade no país.

Tolentino referiu igualmente a importância do Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2013, classificando a qualificação alcançada em Yaoundé como o momento que marcou a verdadeira afirmação internacional dos Tubarões Azuis.

"Não havia indomáveis para Cabo Verde", assinalou, numa referência ao histórico apuramento frente aos Camarões.

Outro aspecto destacado pelo autor foi o contributo da diáspora cabo-verdiana para o fortalecimento da selecção nacional, através da integração de atletas formados no estrangeiro, que ajudaram a elevar a competitividade da equipa e a consolidar a ideia de Cabo Verde como uma nação de diáspora.

Para Jorge Tolentino, a qualificação para o Mundial constitui o culminar de uma longa caminhada colectiva e uma demonstração da evolução alcançada pelo futebol cabo-verdiano ao longo de mais de cinco décadas.

"Estamos no Mundial por mérito próprio e é absoluto o direito que nos assiste de estar em festa", afirmou.

Apesar do momento de celebração, o antigo governante manifestou preocupação com o período posterior à participação de Cabo Verde na competição, defendendo uma estratégia que permita transformar a visibilidade internacional em ganhos duradouros para o país.

"Temos de crescer internamente, das infra-estruturas à formação e à organização desportivas", sustentou, acrescentando que o Mundial deve representar "o clarão decisivo" para uma nova etapa do desenvolvimento do desporto nacional.

Segundo o autor, Cabo Verde deve aproveitar a notoriedade conquistada para reforçar a sua relação com o mundo e elevar os padrões de gestão em vários sectores, particularmente no domínio desportivo.

Jorge Tolentino considerou ainda que os Tubarões Azuis constituem actualmente um dos mais importantes instrumentos de projecção externa do país, enquadrando a selecção nacional no conceito de diplomacia desportiva.

Na parte final da mensagem, elogiou a equipa orientada pelo seleccionador Bubista, descrevendo os jogadores como a expressão mais elevada da história do futebol cabo-verdiano e representantes das aspirações de todo o povo cabo-verdiano.

"Levam ao mais alto palco do Futebol do Mundo a alma e as esperanças de toda uma Nação", concluiu.

JMV/ZS

Inforpress/Fim

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