
Mindelo, 07 Jun (Inforpress) – A presidente dos Cabo Verde Music Awards (CVMA), Dilza Solué, destacou hoje a recepção “muito especial” de São Vicente à gala, cujo impacto positivo foi igualmente sublinhado por alguns dos principais vencedores da noite.
Em balanço da realização da 15.ª edição dos CVMA em São Vicente, Dilza Solué considerou positiva a aposta na descentralização do evento e enalteceu o contributo da equipa organizadora e dos parceiros para o sucesso da iniciativa.
“Conseguimos porque eu tenho uma família formidável. Eu tenho uma equipa extraordinária que trabalha para este projecto com muito amor e muita dedicação e porque tenho parceiros maravilhosos que acreditam neste projecto”, afirmou.
A responsável admitiu que a realização da gala na ilha constituiu um desafio logístico e financeiro, mas salientou a forte adesão do público, referindo que o evento registou lotação esgotada, ao contrário das duas edições anteriores.
Entre os aspectos que considerou mais relevantes, destacou a diversidade do cartaz artístico, a participação de nomes de referência da música cabo-verdiana e a valorização dos talentos locais através das homenagens promovidas durante a cerimónia.
Dilza Solué sustentou ainda que os CVMA evoluíram significativamente desde o período anterior à pandemia da covid-19, consolidando-se como a principal gala de premiação da música cabo-verdiana e conquistando maior projecção nacional e internacional.
Por seu turno, June Freedom, o artista mais premiado da noite, ao conquistar os galardões de Álbum do Ano, Melhor Videoclipe e Colaboração do Ano, afirmou que Cabo Verde continua a ser o centro da sua identidade artística, apesar de cantar sobretudo em inglês e espanhol.
Segundo o cantor, existe uma preocupação constante em divulgar a cultura cabo-verdiana nos palcos internacionais, razão pela qual procura interpretar músicas em crioulo sempre que actua em locais sem presença significativa da diáspora cabo-verdiana.
“A minha missão é levar Cabo Verde, porque somos pequenos no tamanho, mas grandes no mundo da música”, declarou, acrescentando que o álbum Casa Mira Mar já ultrapassou os 500 milhões de reproduções nas plataformas digitais.
June Freedom recordou igualmente que nasceu nos Estados Unidos, chegou a Cabo Verde aos três anos e iniciou o seu percurso musical aos 10 anos, na ilha do Fogo, onde interpretava mornas e coladeiras no restaurante da mãe.
O artista apontou ainda Neuza de Pina e Michael Montrond como algumas das principais influências do seu percurso.
Já Fattu Djakité, distinguida com os prémios de Melhor Artista de Palco e Outros Ritmos, graças ao tema Badja Tina, afirmou que o palco representa a principal forma de expressão da identidade artística.
A cantora explicou que a música aborda questões relacionadas com a violência e os direitos das raparigas e mulheres, dando voz a pessoas afectadas por situações de abuso ou casamento forçado.
“Aonde Badja Tina chegou é porque não ficámos calados. Falamos pelas vozes que foram silenciadas, pelas meninas que sofrem abuso em todo o mundo, pelas meninas que são forçadas a casar-se, mas que querem viver como borboletas”, afirmou.
Por sua vez, Josslyn, vencedora dos prémios de Música Popular do Ano e Melhor Intérprete Feminina do Ano, manifestou satisfação pelo reconhecimento alcançado com a música Malibu.
A artista considerou que os desafios enfrentados ao longo da carreira têm servido de motivação para continuar a trabalhar e evoluir artisticamente.
“É uma caminhada tão turbulenta, difícil, cheia de altos e baixos, mas essa mesma caminhada é que me mantém viva”, afirmou.
Josslyn acrescentou que os prémios representam o reconhecimento do seu percurso e reforçam a convicção de que cada conquista acontece no momento adequado, destacando igualmente a capacidade de superação das mulheres perante críticas e adversidades.
CD/JMV
Inforpress/Fim
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