Mundial2026: Cabo Verde estreia-se assente na diáspora após 48 anos de atividade

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Mundial2026: Cabo Verde estreia-se assente na diáspora após 48 anos de atividade
07/06/26 - 01:23 pm

Redação, 07 jun 2026 (Inforpress) - O estreante Cabo Verde apurou-se para o Mundial2026 de futebol movido pelos talentos detetados na diáspora, tendo protagonizado um percurso ascensional em 48 anos de atividade da seleção nacional, instituída depois da independência de Portugal em 1975.

A partir do alargamento de cinco para nove vagas diretas de qualificação em África, mais uma através do play-off, os ‘tubarões azuis’ fizeram história e vão enfrentar a campeã europeia Espanha, o Uruguai e a Arábia Saudita no Grupo H da primeira fase do principal torneio internacional de seleções.

Envolvido em apuramentos só desde 2002, Cabo Verde acedeu à fase final ao fim de sete tentativas e estará na 23.ª edição, que se realiza de 11 de junho a 19 de julho e integra pela primeira vez 48 seleções, incluindo Portugal, num total de 104 jogos, sob inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.

A equipa orientada por Pedro Brito, mais conhecido por Bubista, fechou o Grupo D de qualificação africana no primeiro lugar, único de acesso direto, com 23 pontos, contra 19 dos Camarões, segundos classificados e posteriormente afastados no play-off, 16 da Líbia, 12 de Angola, seis da Maurícia e três do Essuatíni.

Com quase 525.000 habitantes e 4.033 quilómetros quadrados dispersos por 10 ilhas, Cabo Verde será o 14.º país de África - e único estreante desse continente nesta edição - a atuar em Mundiais, entrando na história como o terceiro com menor população, atrás da Islândia, ausente em 2026, e do também debutante Curaçau, e o segundo mais pequeno em área.

Os insulares juntam-se ainda ao restrito elenco de nações de língua oficial portuguesa que disputaram a prova, depois de Angola, na fase final só em 2006, do Brasil, único pentacampeão do mundo (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002) e recordista de presenças (23), e de Portugal, terceiro classificado na estreia, em 1966, e a caminho da nona participação, e sétima consecutiva.

Antes da inédita chegada ao Campeonato do Mundo, Cabo Verde fez quatro campanhas na Taça das Nações Africanas (CAN) e foi aos quartos de final na primeira, em 2013, e na última, em 2023, por entre uma chegada aos ‘oitavos’, em 2021, e uma eliminação na primeira fase, em 2015.

Há 11 anos, os ‘tubarões azuis’ foram orientados pelo treinador português Rui Águas, que somou duas passagens (2014-2015 e 2018-2019) e seria rendido na mais recente por Bubista, artífice do auge futebolístico do país.

Antigo defesa central e capitão de Cabo Verde, Bubista comandou alguns clubes locais e foi adjunto do luso João de Deus e de Lúcio Antunes na seleção, na qual seria promovido em 2020, chegando em 2025 a receber o prémio de técnico do ano pela Confederação Africana de Futebol (CAF).

Bubista prosseguiu o recrutamento iniciado por selecionadores anteriores e persuadiu vários jogadores, sobretudo espalhados por Portugal, França ou Países Baixos, a representar os ‘tubarões azuis’, uma vez que 1,5 a dois milhões de pessoas de origem cabo-verdiana residem fora do arquipélago.

Dos 26 convocados para a fase final, 14 nasceram no estrangeiro - três em Portugal -, tal como exemplificam CJ dos Santos, Wagner Pina, Steven Moreira, Roberto Lopes, Logan Costa, Jamiro Monteiro, Deroy Duarte, Laros Duarte, Hélio Varela, Willy Semedo ou Garry Rodrigues.

Raízes na diáspora têm ainda Sidny Lopes Cabral (Benfica), Telmo Arcanjo (Vitória de Guimarães) e Dailon Livramento (Casa Pia), que pertencem a clubes lusos, enquanto Vozinha (Desportivo de Chaves), Stopira (Torreense), Yannick Semedo (Farense) e Jovane Cabral (Estrela da Amadora), que também atuam em Portugal, são nativos de Cabo Verde, a par de Ryan Mendes, recordista de internacionalizações (98) e golos (22).

Nenhum dos atletas chamados por Bubista joga no arquipélago, face à inexistência de campeonatos profissionais, estando a maioria dispersa pela Europa e envolvida na transfiguração da seleção nacional, 67.ª do ranking da FIFA, depois de evoluir de 182.ª em 2000 para 27.ª em 2014.

A estreia no Mundial2026 minora a ausência da CAN2025, disputada em Marrocos e que poderia ter conferido pela primeira vez três participações seguidas no principal torneio africano a Cabo Verde, em ação no futebol internacional desde abril de 1978 e filiado na CAF e na FIFA há 40 anos.

Inforpress/Lusa/Fim

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