
Cidade da Praia, 01 Ago (Inforpress) – Mães de diferentes idades enaltecem benefícios da amamentação, mas a burocracia hospitalar impede balanço no HUAN, no momento em que se assinala o início da Semana Mundial de Aleitamento Materno, efeméride promovida pela OMS e Unicef.
Com efeito, assinala-se hoje o início da Semana Mundial de Aleitamento Materno, cuja iniciativa, promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), serve para sensibilizar sobre a importância da amamentação, com as mães na capital a destacarem o vínculo e a saúde dos bebés.
A experiência da maternidade e a nutrição nos primeiros meses de vida continuam a ser pilares fundamentais para o desenvolvimento infantil.
Contudo, num dia que deveria ser de celebração e abertura, restrições burocráticas no Hospital Universitário Dr. Agostinho Neto (HUAN) impediram o acesso da Inforpress aos dados e ao balanço do Banco de Leite Materno.
Marlene Garcia, jovem mãe de 23 anos, partilha a sua jornada com a filha de nove meses, sublinhando que a amamentação nos primeiros seis meses é “fundamental para o equilíbrio e desenvolvimento saudável do bebé”.
“Ainda dou peito à minha bebé. Agora, aos nove meses, introduzi outros complementos como sopa, papa e iogurte, mas o leite materno continua a ser essencial, ajudando inclusive no período do nascimento dos primeiros dentes”, explicou a jovem mãe.
Apesar de reconhecer as dificuldades iniciais, como a adaptação à sucção e as dores dos primeiros dias, Marlene garante que a experiência rapidamente se tornou “prazerosa” e desmistifica os receios estéticos associados ao acto.
“Nunca tive problema por medo de os peitos estragarem ou ficarem descaídos. A experiência da maternidade é uma sensação única, não há nada que se compare à relação de amor e afectividade ao dar de mamar”, manifestou.
Com uma bagagem diferente, Elizabete, Bety, 38 anos, a vivenciar a maternidade pela terceira vez, ratifica o impacto directo na imunidade e bem-estar das crianças.
“O aleitamento é muito bom, a criança fica sempre mais saudável, ganha mais defesas e não adoece tanto. É uma sensação tão boa que não se consegue explicar. As mulheres não devem deixar de amamentar por receio de a mama ficar feia ou com assimetrias. Ser mãe cansa, mas é algo espectacular”, salientou.
A par dos relatos na primeira pessoa, a Inforpress deslocou-se à Maternidade do HUAN para o ponto da situação sobre o funcionamento do Banco de Leite Materno, instituição que apoia recém-nascidos prematuros ou cujas mães enfrentam impossibilidade temporária de amamentar.
No entanto, o trabalho de recolha de informação e balanço sobre os ganhos e constrangimentos do serviço foi inviabilizado no local.
O jornalista foi barrado na entrada pelo porteiro de serviço, sob a alegação de que seria necessária uma autorização prévia da secretaria do hospital, departamento que se encontrava encerrado no dia de hoje, sem qualquer chefe de serviço disponível para prestar esclarecimentos ou desbloquear o acesso.
A postura institucional acaba por condicionar o direito de informar a opinião pública sobre um serviço de saúde pública vital, num dia em que a agenda internacional apela precisamente à abertura, sensibilização e apoio comunitário em torno do aleitamento materno.
Apesar de nunca terem sido dadoras directas, as mães ouvidas pela Inforpress reconhecem o valor inestimável do Banco de Leite como um garante de vida e nutrição para os recém-nascidos mais vulneráveis, lamentando que a instituição continue inacessível à transparência mediática em datas de elevada relevância social.
SC/AA
Inforpress/Fim
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