
Cidade da Praia, 02 Set (Inforpress) - A Alta Autoridade para a Imigração prepara-se para lançar a campanha nacional “Informar para Integrar”, acompanhada de cursos de Língua Portuguesa para imigrantes adultos, com o objectivo de acelerar a integração e combater fragilidades na qualificação e documentação.
Em entrevista à Inforpress, a presidente da Alta Autoridade para a Imigração (AAI), Carmem Barros, explicou que a iniciativa responde ao forte crescimento na chegada de novos imigrantes e às crescentes dificuldades linguísticas enfrentadas por cidadãos de países não lusófonos.
“Estamos a lançar este ano o curso da língua portuguesa inserido numa acção maior, que é o que nós chamamos de uma campanha 'Informar para Integrar', que tem muito a ver com o aumento da demanda que temos tido nos últimos tempos. Percebemos efectivamente que as nossas acções têm que ser mais aceleradas porque tem havido uma chegada grande”, revelou.
Promovido em parceria com a Direcção Nacional de Educação, o curso de Língua Portuguesa tem como grande propósito desenvolver competências básicas de comunicação no quotidiano e aumentar a autonomia dos cidadãos estrangeiros, reduzindo as barreiras linguísticas na sociedade cabo-verdiana.
A acção visa igualmente apoiar a inserção no mercado de trabalho, proporcionando a aprendizagem necessária para a procura de emprego, comunicação laboral e compreensão de direitos do trabalhador, reforçando de forma abrangente as condições de acolhimento, orientação e integração dos recém-chegados.
Carmem Barros esclareceu que, embora a AAI tenha disponibilizado um serviço piloto de interpretação telefónica nos serviços públicos para suprir barreiras imediatas, a prioridade estratégica passa por capacitar directamente os imigrantes no domínio do português e do crioulo.
Ao analisar os obstáculos frequentes na regularização e na obtenção de documentação formal por parte de muitos imigrantes africanos, a presidente do organismo salientou que a falta de papéis é, na maioria das vezes, uma consequência e não a causa primária dos problemas de integração.
“A documentação (...) não é o maior problema. A grande questão é aquilo que leva à dificuldade da regularização: o nível de escolaridade, a qualificação profissional, a inserção e a actividade que desenvolve”, explicou Carmem Barros, acrescentando que a prioridade da AAI tem sido facilitar o acesso à alfabetização, à formação profissional sem requisitos rígidos de nível de ensino e à formalização do trabalho.
No entanto, aquela responsável reconheceu a complexidade de conciliar o estudo com a subsistência quotidiana dos imigrantes.
“Lidamos com um perfil de pessoas que vêm e têm que trabalhar. Têm que trabalhar, não têm tempo para estudar. Há esse enorme desafio”, concretizou.
Carmem Barros apontou também como condicionalismos o défice de recursos financeiros das instituições e a limitação da cobertura geográfica dos serviços da AAI a todo o território nacional, reforçando a necessidade de continuar a mobilizar parcerias para responder à aceleração dos fluxos migratórios.
SC/ZS
Inforpress/Fim
Partilhar