Acrides pede apoio do Governo e do sector privado para garantir sustentabilidade da organização

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Acrides pede apoio do Governo e do sector privado para garantir sustentabilidade da organização
26/06/26 - 02:15 pm

Cidade da Praia, 26 Jun (Inforpress) - A presidente da Acrides, Lourença Tavares, apelou hoje ao Governo e ao sector privado para apoiarem a sustentabilidade financeira da organização, revelando que os actuais subsídios públicos são insuficientes para manter uma equipa técnica permanente.

Apesar de receber um subsídio do Ministério da Educação desde 2004, a líder da Associação Crianças Desfavorecidas (Acrides) explicou, em declarações à Inforpress, que a implementação do plano de acção da organização não governamental (ONG) assenta sobretudo no apoio do governo luxemburguês, através da organização não-governamental Equi-Part e no trabalho de estagiários.

Lourença Tavares que falava à margem de uma mesa redonda “Escolhas que protegem, vozes que transformam”, promovida pela ACRIDES em parceria com as Nações Unidas (UNICEF e UNFPA), revelou que o projecto de “Crianças Embaixadoras” depende de financiamento luxemburguês e de estagiários, e reclama bolsas de estudo para os jovens.

“O que nós gostaríamos, e que não temos, é ver o Governo ajudar-nos a sustentar uma equipa. Nós trabalhamos com estagiários para a implementação do nosso plano”, desabafou, sublinhando que o reforço de verbas permitiria fazer muito mais pelas comunidades.

O apelo surge numa altura em que a Acrides coloca o projecto das “Crianças Embaixadoras” no centro da sua estratégia para o horizonte de 2025–2027.

Segundo a mesma fonte, o objectivo é formar os menores para que actuem como comunicadores e “multiplicadores de pares”, ensinando outras crianças a defenderem os seus direitos e a rejeitarem o que prejudica o seu desenvolvimento.

Explicou que a adesão ao projecto é voluntária e espontânea, com o modelo a atrair até crianças de outras nacionalidades, como a Guiné-Bissau, mas exige agora respostas sociais concretas por parte do Estado e das empresas.

“Nós precisamos de ter contrapartidas para essas crianças. Sendo alunos, temos de responder às suas necessidades. Temos agora duas crianças embaixadoras a entrar na universidade e devíamos apoiá-las com bolsas de estudo. O Estado, o Governo e as empresas que ajudam devem fazer isso, além de garantir o material escolar no início do ano lectivo para quem tem dificuldades”, defendeu.

A nível nacional, o projecto tem avançado de forma gradual, contando já com núcleos que Lourença Tavares classifica como “excelentes” nas ilhas de São Vicente e Santo Antão.

Para a responsável, o sucesso a longo prazo dessa intervenção depende da entrada definitiva da dignidade humana e do serviço social na agenda política das comunidades.

Neste âmbito, Lourença Tavares mostrou-se “tranquila e confiante” no mandato da nova ministra da Família, realçando o facto de ser assistente social.

“O assistente social é um profissional que tem essa riqueza, que poderá ajudar na formação do homem”, referiu, apontando ainda a optimização dos centros de dia nos bairros como um caminho essencial para manter os jovens orientados e ocupados no período pós-escolar.

SC/CP

Inforpress/Fim

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