
Lisboa, 10 Jun (Inforpress) – O professor Paulo Marques assinalou hoje os 31 anos do assassinato de Alcindo Monteiro, cabo-verdiano morto em Lisboa por um grupo de “skinheads”, defendendo que o caso continua a expor as contradições da sociedade portuguesa perante o racismo.
Numa reflexão publicada nas redes sociais por ocasião do Dia de Portugal, Paulo Marques recordou a morte de Alcindo Monteiro, natural do Mindelo, ocorrida na sequência de uma agressão racista na noite de 10 de Junho de 1995, em Lisboa.
Segundo o professor, Alcindo Monteiro, que tinha emigrado para Portugal ainda criança e possuía nacionalidade portuguesa, foi vítima de um ataque levado a cabo por dezenas de “skinheads” que percorreram as ruas da capital portuguesa com o objectivo de agredir pessoas negras.
Paulo Marques considerou que o homicídio continua a representar uma das páginas mais sombrias da história recente portuguesa e criticou aquilo que classificou como a persistência do mito de uma sociedade naturalmente imune ao racismo.
Na publicação, o docente relaciona o caso com a herança do lusotropicalismo, teoria desenvolvida por Gilberto Freyre e posteriormente utilizada pelo Estado Novo para sustentar a ideia de uma colonização portuguesa assente na convivência harmoniosa entre povos.
O professor recordou igualmente que os responsáveis pelo crime foram julgados e condenados, sublinhando que alguns dos envolvidos voltariam anos mais tarde a ser condenados por outros actos violentos associados a grupos de extrema-direita.
Paulo Marques destacou ainda o documentário Alcindo, realizado por Miguel Dores e apresentado em 2021, que aborda o impacto do crime e a forma como a memória de Alcindo Monteiro continua presente junto da família e da sociedade.
Para o professor, o assassinato do jovem cabo-verdiano, ocorrido precisamente no Dia de Portugal, constitui um símbolo das contradições entre os valores proclamados pelo país e a realidade vivida por parte das comunidades imigrantes e afrodescendentes.
Alcindo Monteiro nasceu a 01 de Outubro de 1967, no Mindelo, ilha de São Vicente, e morreu a 12 de Junho de 1995, aos 27 anos, na sequência dos ferimentos sofridos no ataque ocorrido dois dias antes, em Lisboa.
JMV/CP
Inforpress/fim
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