
Cidade da Praia, 08 Mar (Inforpress) - A primeira-dama, Débora Katisa Carvalho, apontou hoje a gestão e a partilha do tempo doméstico como um dos principais obstáculos à plena participação da mulher na sociedade.
As declarações foram feitas à margem de uma feira de saúde na Escola Secundária Cesaltina Ramos, em Achada Santo António, que marcou as celebrações do Dia Internacional da Mulher, assinalado a 08 de Março.
A iniciativa, que disponibilizou cerca de 150 consultas gratuitas à comunidade, resultou de uma parceria com a equipa médica chinesa e a Fundação de Caridade dos Chineses e Ultramarinos de Cabo Verde.
Tendo em linha de conta a “ditadura do tempo” e o trabalho não remunerado, Débora Katisa Carvalho, compreende que embora o percurso da mulher cabo-verdiana nos últimos 50 anos seja motivo de orgulho, persistem ainda barreiras estruturais invisíveis.
Para ela, a mulher continua a sobrecarregar-se com trabalho não remunerado, desde a gestão familiar ao cuidado com idosos e crianças, o que, conforme analisou, limita a sua presença em áreas como a política e o desporto.
“Muitas vezes diz-se que as mulheres não estão disponíveis para participar em certas esferas. Eu tenho uma visão diferente…acho que não há disponibilidade de tempo”, afirmou, apelando a uma maior repartição de tarefas com os homens.
Apesar dos desafios, a primeira-dama mostrou-se, entretanto, optimista quanto ao futuro, notando uma “evolução geracional clara” a vários níveis, realçando, nomeadamente, o domínio feminino nos quadros de honra das escolas e a crescente aposta em áreas científicas.
No mercado de trabalho, por exemplo, referiu a quebra de estereótipos com mulheres a ocuparem funções antes masculinizadas, como a condução de autocarros, a polícia e a construção civil, notando, por outro lado, que os homens da nova geração já começam a assumir um papel mais activo no apoio doméstico e na educação dos filhos.
A feira de saúde, que focou no diagnóstico de doenças como cancro, diabetes e hipertensão, serviu também para celebrar os 50 anos de cooperação médica entre a China e Cabo Verde.
Neste particular, Débora Katisa agradeceu o empenho da equipa médica chinesa e defendeu o modelo de “saúde de proximidade”.
“É necessário que as instituições vão ao encontro das comunidades, pois muitas pessoas não têm condições de pagar um transporte ou custear os cuidados de saúde”, sublinhou, reforçando a importância de as mulheres “cuidarem de si para poderem cuidar dos outros”.
SC/ZS
Inforpress/Fim
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