
Cidade da Praia, 28 Jan (Inforpress) – O Presidente da República, que inicia hoje uma visita de seis dias França, disse que, além de questões das relações entre África e Europa, pretende abordar com o seu homólogo assuntos atinentes aos pequenos Estados insulares.
José Maria Neves que, na sexta-feira, 30, tem um encontro com o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, considerou que, neste momento, há uma “forte fragilização” do multilateralismo, em que não se cumpre a Carta das Nações Unidas.
“Há uma ruptura na ordem internacional e há uma forte disputa geoestratégica e geopolítica e também geoeconómica entre as grandes potências”, sublinhou o Presidente da República.
Na sua perspectiva, é preciso que os pequenos Estados procurem formas e canais de contactos para, de uma forma “pragmática e realista”, trabalhar no sentido de haver parcerias construtivas para a resolução de “candentes problemas com que a humanidade está a confrontar”.
José Maria Neves fez estas considerações em entrevista à Rádio de Cabo Verde (RCV), antes de deixar o país para a IV Edição da Presidência na Diáspora, desta feita, em França, onde tem uma agenda intensa de contatos com as comunidades cabo-verdianas nas regiões de Paris, Lyon e Marselha.
Em Paris, José Maria Neves tem agendado reuniões com responsáveis da Unesco, tendo em conta, por um lado, a sua condição de ser Champion da Preservação do Património Natural e Cultural de África e, por outro, por ser também patrono da Aliança da Década do Oceano e patrono da História Geral de África.
“Todas essas questões estarão sobre a mesa na discussão com a Unesco, mas essencialmente também o facto de termos a 5.ª Conferência da Década do Oceano, que terá lugar em Julho na ilha da Boa Vista”, anunciou o Presidente.
Acrescentou que está a preparar um encontro sobre a Crioulidade para finais de Maio e, assim, pretende discutir esses dossiês com a Unesco, mas também com a Organização Internacional da Francofonia, bem como outros aspectos que se referem à cooperação na área da educação, ciência e cultura entre Cabo Verde e a própria Unesco.
Instado sobre o desejo da diáspora que se tem manifestado no sentido de uma maior participação, nomeadamente no que se refere às eleições presidenciais, José Maria Neves afirmou que sua abertura é no sentido de se discutir tudo.
“Estou muito preocupado com as novas gerações aqui no país e na diáspora, as instituições tradicionais de intermediação não estão a dar resposta às suas expectativas”, lamentou o chefe de Estado, para quem é preciso encontrar novos canais de participação para a resolução dos problemas dos jovens aqui em Cabo Verde e na diáspora.
Os jovens, frisou, querem um “governo justo e transparente” e querem conhecer as regras do jogo para poderem participar em pé de igualdade nos concursos públicos, nos diferentes projectos que são organizados.
“Eu quero ser um fermento de debates e de emergências, de novas ideias, para construirmos um futuro melhor para Cabo Verde", assegurou o chefe de Estado.
Perguntado por que razão o decreto presidencial, que marca as eleições legislativas ainda não está publicado, garantiu que tratará disso após o seu regresso ao país.
Nesta sua visita à França, o Presidente da República faz-se acompanhar do ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Regional, José Luís Livramento.
LC/AA
Inforpress/Fim
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