
Porto Novo, 16 Fev (Inforpress) – O porta-voz da Comissão Política Regional do Movimento para a Democracia (MpD) de Santo Antão, Damião Medina, acusou hoje a edil do Porto Novo, Elisa Pinheiro, de “atacar o Governo de forma gratuita”.
Em conferência de imprensa, Damião Medina disse não concordar com as críticas proferidas pela presidente da Câmara Municipal do Porto Novo contra o Governo, relativamente às intervenções no quadro da tempestade Erin, ocorrido em Agosto de 2025.
“Não concordamos com a sua postura. Dizer, de forma clara, que o Governo está de boa fé com a câmara do Porto Novo. Agora, em Janeiro, o Governo assinou com o município 12 protocolos e memorandos de entendimento no sentido de dar seguimento às intervenções no concelho e a senhora presidente demonstrou a sua satisfação pelos entendimentos criados”, notou Damião Medina.
O representante do MpD em Santo Antão disse estranhar que, duas semanas após a assinatura dos acordos, a edil do Porto Novo venha ao público “atacar” o Governo, passando a ideia de que o executivo "está a discriminar a câmara, não colaborando com a edilidade".
“Com isto, ela entra numa terrível incoerência, deslealdade e deselegância institucional e, sobretudo, falta de sentido de compromisso que assumiu publicamente em colaborar para que sejam concretizados os projectos acordados com o Governo”, notou o porta-voz do MpD.
Quanto aos estragos causados pelas chuvas, Damião Medina entende que a autarca porto-novense está a entrar “numa outra tremenda contradição, ao achar que o Governo alocou só 184 mil contos” ao município do Porto Novo, perguntando porque razão Elisa Pinheiro enviou ao Governo um levantamento de 133 mil contos.
Damião Medina acusou a presidente da edilidade de “má fé e maldade, ao tentar passar a ideia para fora de que o Governo negligenciou os estragos havidos e que foi ela quem fez os investimentos necessários, com recursos próprios”.
“Nada mais falso. Ora, com a mesma dinâmica e princípios aplicados nas ilhas de São Vicente e São Nicolau e, com base num levantamento feito pela própria Câmara Municipal do Porto Novo, orçado em 133 mil contos, o Governo disponibilizou 184 mil contos, ou seja, mais do que previa a câmara, consertando todos os estragos, repondo a normalidade no município e em Santo Antão”, disse.
Além dos valores disponibilizados à autarquia para reparar os estragos nas estradas municipais (três mil contos), da assinatura de contratos programa para investir nas ruas da cidade (cinco mil contos) e na estrada Ribeira da Cruz - Chã de Norte (16 mil contos), o Governo também investiu nas estradas nacionais, nas escolas e no sector energético, explicou o MpD.
Esclareceu ainda que o Governo está a construir a estrada da Casa de Meio, está a reabilitar 28 habitações e investiu 20 mil contos na agricultura, estando em fase de aquisição de uma máquina retroescavadora, que custa mais de 20 mil contos, para apoiar as três câmaras municipais de Santo Antão.
Este responsável desmentiu também que a anterior gestão camarária tenha recebido do Governo 127 mil contos para fazer face aos estragos da chuva, considerando a afirmação da autarca “autêntica falsidade”.
“Estamos a desafiar a presidente da câmara municipal a apresentar documentos que provam e suportam a sua afirmação. Ora, nem com as chuvas de 2016, e aí sim, com estragos avultados em que o Governo teve que investir em toda a ilha mais de um milhão de contos, a câmara anterior recebeu o valor nesta ordem”, sublinhou, afirmando que “nessa altura somente cerca de 30 mil contos foram desbloqueados à câmara, para reparos mínimos”.
Quanto ao pedido de aval de 300 mil contos ao Governo”, Damião Medina explicou que “o processo só não está mais avançado por causa da inexperiência, impreparação e da falta de conhecimento técnico” da actual equipa camarária, que “formulou mal o pedido, ignorando regras, procedimentos próprios e peças documentais”.
“Com um ano e dois meses de mandato, os porto-novenses estão a exigir dela (presidente da edilidade) trabalho e resultado. Que tenha mais humildade e assuma as suas responsabilidades. Deixe de semear intrigas, ódio e deixe de lado os discursos maléficos e astuciosos de vitimização”, concluiu o representante do MpD em Santo Antão.
JM/ZS
Inforpress/Fim
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