
Porto Novo, 20 Out (Inforpress) – Dificuldades enfrentadas pelos agricultores do município do Porto Novo na exportação dos produtos para os mercados turísticos estão a obrigar a classe a optar pela cultura da cana sacarina que exige menor custo de produção, informou hoje a classe.
Os produtores agrícolas confirmam que estão "a optar cada vez mais" pelo cultivo de cana de açúcar ou outras plantações que exigem menor custo em termos de produção devido a entraves no escoamento dos excedentes para os mercados turísticos.
Os problemas em aceder aos mercados têm que ver sobretudo com os transportes marítimos interilhas, explicou o produtor, Jair Fernandes, do vale de Jorge Luís.
Nesta localidade, avançou, apesar da boa disponibilidade de água para actividade agrícola, os agricultores estão a enveredar pelo cultivo da cana sacarina e outras culturas cuja produção não exige muito custo, uma vez que não conseguem chegar aos mercados turísticos.
Dificuldades de escoamento dos excedentes afectam também agricultores de outros vales, conforme constatou a Inforpress.
É o caso também de Chã de Norte, onde os produtores admitiram também a possibilidade de se enveredar pela plantação de cana sacarina devido a problemas de escoamento, segundo o porta-voz dos agricultores, Dinelson Lima.
Este produtor agrícola disse que a falta de água pode também obrigar os agricultores a optarem pelo plantio de cana de açúcar.
Em Alto Mira, os produtores têm estado igualmente a deparar-se com dificuldades de escoamento e pensam, como alternativa, na transformação dos produtos, segundo a associação de classe.
A edil do Porto Novo, Elisa Pinheiro, partilha a preocupação dos agricultores, alertando para o facto de os produtores depararem-se com “grandes entraves” na exportação dos excedentes devido a deficiente ligação dos transportes marítimos interilhas.
A autarca informou que os agricultores enfrentam “uma situação complexa” relacionada com o escoamento dos excedentes, que merece “urgentemente um novo olhar” do Governo.
Para Elisa Pinheiro, não se pode pensar apenas na produção, mas também, é preciso “com urgência” o Governo olhar para a questão do escoamento para outras ilhas e mercados, que é muito condicionado pelos problemas de transportes marítimos interilhas.
A edil porto-novense entende que o transporte interilhas é, ainda, “uma questão difícil” que tem condicionado muito os produtores agrícolas de Santo Antão, os quais não conseguem colocar a produção nos mercados turísticos devido a este “problema que precisa ser resolvido com urgência”.
Encorajou o Governo a resolver este problema, que condiciona a própria economia da ilha de Santo Antão.
Os autarcas santantonenses têm estado a defender ainda a necessidade de o Governo ponderar sobre o levantamento do embargo imposto, há 42 anos, aos produtos agrícolas de Santo Antão, pedindo revisão desta medida, que tem afectado a agricultura em Santo Antão.
JM/ZS
Inforpress/Fim
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