
Cidade da Praia, 24 Jul (Inforpress) – O economista Paulino Dias defendeu, quinta-feira, 23, repensar a forma como a ciência económica mede o desenvolvimento, por considerar que os actuais indicadores não reflectem os impactos ambientais e sociais das actividades ligadas aos oceanos.
Estas afirmações foram feitas durante a sua intervenção, na V Conferência da Década do Oceano, que decorre na ilha de Boa Vista, afirmando que "a actual ciência económica, que aprendemos nas universidades e que temos vindo a praticar na formulação de políticas públicas nos últimos 150 anos, é significativamente incompleta e imprecisa".
Segundo Paulino Dias, os modelos económicos, actualmente utilizados, não conseguem captar integralmente os efeitos das decisões económicas sobre o ambiente e as comunidades, o que acaba por conduzir, em muitos casos, a políticas públicas ineficientes, ineficazes.
“E tem vindo a induzir políticas públicas, muitas vezes ineficientes, ineficazes, pouco sustentáveis e, diria até, em demasiadas situações imorais e injustas”, acrescentou.
O economista exemplificou que os indicadores tradicionais contabilizam como contributos positivos para a economia tanto a produção da indústria do armamento como os investimentos destinados à reconstrução de infra-estruturas destruídas por conflitos ou por fenómenos climáticos extremos.
Perante este cenário, defendeu que cabe aos economistas reconhecer as limitações do actual paradigma.
"Teremos de ser nós, economistas, a dar o primeiro passo no reconhecimento destas suas limitações e, com humildade intelectual, procurarmos caminhos alternativos para uma compreensão mais profunda e abrangente dos fenómenos económicos", afirmou.
Durante a conferência, Paulino Dias alertou para o risco de reduzir a economia azul às actividades económicas ligadas ao mar.
Justificou, no entanto, que essa leitura limita o alcance do conceito e compromete o seu potencial transformador.
"Precisamos sair desta armadilha de olhar para a economia azul apenas como a economia tradicional ligada aos oceanos", defendeu.
Para o economista, a economia azul deve ser encarada como "uma nova filosofia da economia", integrando de forma indissociável a exploração económica dos oceanos, a preservação ambiental e a inclusão social.
Paulino Dias destacou o potencial da economia azul em África, referindo que os oceanos contribuem actualmente com cerca de 300 mil milhões de dólares para a economia do continente e que esse valor poderá ascender a 405 mil milhões de dólares até 2030.
Salientou ainda que o continente possui um elevado potencial em áreas como o turismo costeiro, as pescas, a logística marítima, a biotecnologia e as energias renováveis.
A concluir, apelou para que a economia azul seja entendida como um novo paradigma de desenvolvimento e defendeu uma evolução da própria ciência económica.
"Vamos dar este passo das ciências económicas, como a conhecemos hoje, em direcção à economia azul e da economia azul para um futuro próximo, em direcção a uma ciência que eu vou chamar de economia integrada", concluiu.
JBR/HF
Inforpress/Fim
Partilhar