Parlamento: UCID diz que situação em que vivem pessoas da Praia norte devia envergonhar políticos

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Parlamento: UCID diz que situação em que vivem pessoas da Praia norte devia envergonhar políticos
26/02/26 - 12:34 pm

Cidade da Praia, 26 Fev (Inforpress) – O deputado da UCID João Santos Luís disse hoje, no parlamento, que a situação em que vivem os moradores dos bairros a norte da Praia “devia envergonhar” os políticos, enquanto representantes do povo.

Segundo o presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) construções informais multiplicam-se nesses bairros “sem planeamento”, enquanto casas se erguem em zonas de risco.

“As famílias vivem sem água regular, sem saneamento digno, sem arruamentos adequados, sem protecção civil eficaz”, frisou João Santos Luís, referindo-se aos bairros de Safende, Alto Safende, Fundo Calabaceira, Alto Calabaceira, Pensamento, São Pedro, Alto da Glória, Eugénio Lima e Simão Ribeiro.

O líder dos democratas cristãos alertou que a Região de Santiago Sul é a mais importante do país, elegendo um total de 19 deputados, pelo que deveria merecer mais atenção por parte dos políticos.

Há cinquenta anos, asseverou, o país conquistou a independência, assim como há trinta e cinco anos escolheu a democracia.

“A democracia não significa apenas alternância de poder. Democracia é responsabilidade”, enfatizou João Santos Luís, lembrando que na Região de Santiago Sul vivem mais de duzentas mil pessoas, considerando a população flutuante.

“É aqui que o país pulsa. É aqui que a juventude sonha”, apontou o deputado.

Notou ainda que, desde 1991, a Câmara Municipal da Praia já teve cinco presidentes, alternando-se entre o MpD e o PAICV.

“Alternaram-se os discursos, alternaram-se as maiorias, alternaram-se as promessas”, sublinhou o líder da UCID, acrescentando que o problema da capital do país não é apenas falha técnica, mas sim “claro abandono político”.

Para Santos Luís, a democracia não significa apenas alternância de poder, “é também responsabilidade”, além de significar a “dignidade e compromisso com a vida real das pessoas”.

“Basta subirmos ao Monte Gazela [Gonçalo] Afonso, ou ao ponto mais alto do Alto da Glória, para ver um labirinto humano, cinzento, coberto de chapas azuis e vermelhas, onde famílias de quatro, seis ou mais pessoas vivem com coragem admirável, mas sem garantias mínimas de segurança caso ocorra uma situação extrema”, lamentou, alertando que o país registou recentemente situações climáticas extremas.  

O líder da UCID não defende a demolição dos bairros, mas que se deve devolver dignidade a quem construiu ali a sua vida com o que tinha ao seu dispor.

“Água, energia e saneamento não podem ser favores administrativos”, realçou, concluindo que devem ser direitos efectivos e com prazos claros.

“A democracia, quando não chega aos bairros, é uma democracia incompleta”, finalizou o líder da UCID, que pediu votos aos eleitores dos três municípios da Região Sul (Praia, São Domingos e Ribeira Grande de Santiago) nas eleições de 17 de Maio.

Reagindo à declaração política da UCID, o MpD afirmou que quando esteve na direcção da CMP, o município estava a avançar, mas que agora está a regredir.

LC/HF

Inforpress/Fim

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