
Cidade da Praia, 11 Mar (Inforpress) – A UCID afirmou hoje que os investimentos públicos realizados em Cabo Verde nos últimos dez anos não transformaram a vida dos cabo-verdianos.
A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) defendeu uma nova geração de políticas de investimento mais justas, equilibradas e orientadas para as pessoas.
A posição foi expressa durante a intervenção, no parlamento, da deputada Dora Pires que questionou se os investimentos realizados ao longo da última década tiveram impacto real e equitativo no desenvolvimento do país.
Segundo a parlamentar, embora o país tenha registado algumas intervenções relevantes, nomeadamente em portos, estradas, requalificação urbana, habitação, saneamento e equipamentos públicos, bem como em projectos ligados à economia digital, economia azul e turismo, esses investimentos não foram suficientes para garantir um desenvolvimento harmonioso.
A deputada da UCID fez estas considerações no debate com o ministro das Infra-estruturas, tema agendado a pedido do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição).
Dora Pires reconheceu ainda que vários municípios beneficiaram de obras de reabilitação e melhorias na acessibilidade, mas defendeu que investir significa criar condições duradouras para o crescimento económico e para a melhoria das condições de vida das populações.
Neste sentido, apontou áreas consideradas essenciais, como a mobilidade interna, o acesso à água, habitação, saneamento, energia e criação de emprego, sublinhando que estas dimensões devem estar no centro das políticas públicas.
A deputada criticou igualmente aquilo que classificou como uma política de investimento “fragmentada, dispersa e excessivamente dependente do calendário político”, alegando que, em vários casos, as prioridades nacionais foram substituídas por opções de conveniência política.
De acordo com a parlamentar, o investimento público deve estar ao serviço da pessoa humana, da família, das comunidades e do desenvolvimento equilibrado entre as ilhas.
Neste quadro, defendeu que o país precisa, com urgência, de uma nova geração de investimento público assente em cinco princípios fundamentais: prioridade económica e social, equidade territorial, transparência e avaliação, parceria com o sector privado e com os municípios, bem como manutenção e sustentabilidade das infra-estruturas.
“A UCID continuará a defender uma política de investimento público mais justa, mais eficiente, mais descentralizada e mais humana, pois o desenvolvimento não se mede apenas pelo número de obras lançadas, mas sobretudo pela melhoria concreta da vida dos cabo-verdianos”, concluiu.
LC/HF
Inforpress/Fim
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