
Cidade da Praia, 25 Set (Inforpress) – A coordenadora residente da ONU em Cabo Verde asseverou hoje que a comunicação deve ir além da transmissão de mensagens, assumindo-se como um caminho de via dupla focado na escuta activa, transparência e confiança.
Patrícia Portela de Souza falava na abertura da conferência “Comunicar impacto: confiança, reputação e sustentabilidade na sociedade civil”, um evento promovido conjuntamente pela Associação de Relações Públicas de Cabo Verde (ARP-CV) e pela Plataforma das ONG de Cabo Verde, que decorreu na Sala Beijing do Palácio da Presidência da República.
A diplomata centrou a sua intervenção na necessidade de transformar a comunicação no país num verdadeiro vector de transparência, defendendo que esta deixe de ser apenas um acessório e passe a ser encarada como uma ferramenta estratégica de conexão com os cidadãos.
Segundo a mesma fonte, a eficácia comunicacional não se mede pelo volume de conteúdos produzidos, mas sim pela capacidade de gerar escuta e conexão real.
“A comunicação só se completa quando existe escuta, conexão, resposta ou alguma possibilidade de troca. É um caminho de via dupla,” reiterou, alertando para os desafios do ecossistema digital contemporâneo.
Num contexto marcado pelo excesso de informação e pelo ruído digital, Patrícia Portela de Souza apontou o combate à desinformação (fake news) como um imperativo urgente.
Referindo-se ao Pacto Digital Global, adoptado pelos Estados-membros no âmbito do Pacto para o Futuro, Portela sublinhou a importância de proteger a integridade da informação para garantir que os cidadãos possam tomar decisões informadas, realçando o papel essencial do jornalismo de qualidade, da educação mediática e da responsabilidade partilhada entre pessoas e plataformas digitais.
Para uma comunicação transformadora, a coordenadora residente apontou três caminhos que passam por inverter a lógica de proximidade conhecendo as reais necessidades do público, seleccionar canais adequados e garantir a acessibilidade e inclusão de todos os segmentos da sociedade.
Realçou ainda a importância de comunicar com dados e humanidade, sustentando as afirmações com evidências e rigor, contextualizando os números e respeitando estritamente a dignidade e o consentimento das pessoas envolvidas.
Por fim, defendeu a necessidade de assumir a transparência integral, comunicando os sucessos com a mesma abertura e seriedade com que se reconhecem as limitações e os obstáculos operacionais, encarando a superação de falhas como parte indissociável da inovação.
Patrícia Portela de Souza concluiu, salientando que as organizações não-governamentais são parceiras indispensáveis do desenvolvimento sustentável e verdadeiras comunicadoras natas, uma vez que se encontram no terreno, perto das comunidades e das necessidades muitas vezes invisíveis no país.
SC/HF
Inforpress/Fim
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