
Cidade da Praia, 25 Fev (Inforpress) – O vice-primeiro-ministro Olavo Correia lançou hoje, na Praia, um desafio pan-africano de mais “elevada urgência” na criação de 1,2 bilhões de empregos na próxima década, para evitar desesperança, imigração forçada e perpetuação da pobreza.
Estas afirmações foram feitas durante a sua intervenção na abertura da 3.ª edição do Fórum de Líderes Postais Africanos, um evento promovido pela União Postal Universal (UPU), em parceria com o Governo e os Correios de Cabo Verde.
Este ano o lema escolhido foi “Consolidação e Convergência: Prioridades para uma Rede Postal Africana Moderna e Interoperável”, e que reuniu a participação de 54 países e territórios africanos.
Durante a sua intervenção, Olavo Correia alertou que, de acordo com as melhores estimativas feitas pelo Banco Africano de Desenvolvimento, o continente poderá ser capaz de criar 400 milhões de empregos.
“Temos à nossa frente, na próxima década, que já começa a contar, um ‘gap’ de emprego de cerca de 800 milhões de jovens africanos”, disse.
Lamentou, no entanto, que não se conseguir vencer esse desafio, significa desesperança, imigração forçada e perpetuação da pobreza no continente africano e, consequentemente, a instabilidade social e política.
Perante este cenário, Olavo Correia defendeu que é preciso adoptar novos paradigmas de desenvolvimento, investir em novos conselhos, construir novas abordagens, para vencer esses desafios.
“Somos obrigados também, enquanto africanos, a pensar africanos e a pensar no nosso continente. Porque ninguém faz por nós o que a nós e só a nós compete fazer. Somos obrigados a pensar em rede para amplificarmos as oportunidades”, sublinhou.
O governante apelou ainda à construção de uma “rede africana” para pensar a rede global, pensar na diáspora e assim integrar no processo de desenvolvimento.
Defendeu ainda que a África é obrigada a pensar de forma empreendedora e inclusiva para responder aos desafios e que o continente seja empreendedor, criando um ambiente de negócio favorável para aqueles que querem investir.
No centro da sua intervenção esteve também o papel estratégico dos serviços postais no desenvolvimento socioeconómico.
Segundo o vice-primeiro-ministro, os Correios são hoje uma infra-estrutura logística essencial para a integração nacional, a inclusão social, o comércio electrónico e a ligação à diáspora.
“Quando falamos de logística e comércio, falamos dos Correios. Quando falamos de inclusão social, falamos dos Correios. Quando falamos de integração nacional, falamos dos Correios”, enfatizou.
Olavo Correia destacou que Cabo Verde ocupa actualmente a quinta posição no ranking africano e a terceira entre os pequenos Estados insulares no sector postal, mas reconheceu que subsistem “desafios épicos” para os próximos anos.
Entre as prioridades apontadas estão a digitalização, o reforço das infra-estruturas de transporte e distribuição, a melhoria dos sistemas de gestão e o aumento da confiança dos clientes.
O governante garantiu que o financiamento do serviço postal universal continua a ser ainda um dos maiores desafios das empresas que intervêm na área dos Correios, mas que se tem de mantido ancorada na tradição, pela sua longevidade, mas ao mesmo tempo têm de inovar para fazer face aos desafios do presente e aos desafios do futuro.
O vice-primeiro-ministro defendeu que os operadores postais devem transformar-se em “co-líderes da transformação digital” nos seus países, investindo fortemente em tecnologia, automação, capacidade operacional e melhoria da experiência do cliente.
JBR/HF
Inforpress/Fim
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