
Cidade da Praia, 28 Mai (Inforpress) – O músico Zé Viola afirmou que o lançamento do single “Strela de Saniclau”, o primeiro da sua carreira, representa a concretização de um sonho construído ao longo de anos de aprendizagem e convivência com nomes da música cabo-verdiana.
Zé Viola, nome artístico do músico santiaguense José Manuel de Almeida Alves, nascido em 1980, no concelho de São Domingos, explicou que escolheu o título “Strela de Saniclau” por ter sido inspirado por uma mulher natural de São Nicolau, conhecida por Fatinha, que conheceu em São Vicente.
Segundo disse, a principal mensagem da música é a valorização e celebração do amor, procurando eternizar esse sentimento através da arte.
Relativamente à inspiração para o tema, contou que surgiu em São Vicente e manifestou gratidão por ter conhecido essa pessoa numa fase em que se sentia preparado para dar mais um passo na música.
Sobre o processo de aprendizagem, afirmou que resultou de muitos anos de troca de experiências e dedicação. Referiu que, embora tenha começado a tocar guitarra apenas aos 20 anos, sempre gostou de cantar e teve oportunidade de conviver com músicos consagrados, como Kaká Barbosa, Vadu Melício, Caluca Tavares e Dhy de Paula, que o orientaram para a qualidade musical.
Destacou ainda que a convivência com Kaká Barbosa constituiu uma das experiências mais marcantes do seu percurso artístico.
Quanto às suas origens em São Domingos, considerou que ser músico proveniente desse concelho representa uma grande responsabilidade, devido ao historial cultural da região. Acrescentou que, ao longo da sua evolução artística, partilhou experiências com músicos como Quim de Nanda, Nóno, Fany, Pascoal e Kinzito Leal.
Ao descrever o seu estilo musical, admitiu ter dificuldade em identificar-se com um único género, embora a morna tenha sido escolhida para o primeiro single.
Sublinhou que aprecia vários estilos musicais nacionais e internacionais, defendendo que a música não tem fronteiras e que o mais importante é a qualidade.
Revelou também que a sua maior referência artística é Norberto Tavares, tendo criado o projecto “Zé Viola canta Norberto Tavares”.
Citou ainda Kaká Barbosa, Albertino Évora, Grupo Bulimundo, Tulipa Negra e Finason entre as suas influências.
Em relação às colaborações no projecto, explicou que assumiu grande parte dos custos da gravação, contando com apoio financeiro de Salazar Santiago e colaboração de Beto Dias e Jeremias Tavares no videoclipe.
Acrescentou que Albertino Évora não participou directamente no trabalho, mas lhe deu conselhos importantes para melhorar a interpretação musical.
Sobre o reconhecimento recebido de colegas músicos, como Ângelo Barbosa, conhecido como Djinho, afirmou sentir-se feliz e mais responsável, acrescentando que este o motiva constantemente e lhe aponta caminhos para evoluir artisticamente.
Quanto às dificuldades enfrentadas, garantiu que não teve muitos problemas durante a produção do single, porque tudo estava devidamente preparado antes da entrada em estúdio.
Elogiou ainda o profissionalismo de Kaku Alves e Khaly durante o processo de gravação.
Relativamente às plataformas digitais, reconheceu a sua importância na divulgação musical e afirmou estar satisfeito com a recepção do público, que, segundo disse, superou as suas expectativas.
Questionado sobre a nova geração de músicos cabo-verdianos, considerou que actualmente existem mais oportunidades, devido à facilidade de gravação, aos meios de divulgação e aos avanços tecnológicos que permitem melhorar a qualidade das produções musicais.
Sobre a preservação dos ritmos tradicionais cabo-verdianos, defendeu que esta é fundamental por representar a identidade nacional, destacando que a morna e a coladeira continuam a projectar Cabo Verde internacionalmente.
Em relação ao futuro, revelou que já recebeu propostas e composições para novos trabalhos, incluindo músicas de compositores como Calú de Guida, José António Lopes, Tibau Tavares e Salazar Santiago, admitindo a possibilidade de concluir um novo projecto até ao final do ano.
Quanto às metas da sua carreira, afirmou que o seu maior sonho é contribuir positivamente para a música cabo-verdiana, acrescentando que sempre encarou a música com responsabilidade e respeito.
Por fim, deixou uma mensagem aos jovens músicos, aconselhando-os a seguirem a carreira artística com sinceridade, humildade e espírito de aprendizagem, defendendo que a música é uma arte nobre capaz de transmitir amor, alegria e mensagens positivas.
JMV/AA
Inforpress/Fim
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