
Cidade da Praia, 28 Set (Inforpress) – O Movimento para a Democracia (MpD, oposição) pediu hoje a adopção de medidas para minimizar o impacto dos sucessivos aumentos dos combustíveis nos transportes, alertando que quando o preço dos combustíveis aumenta, tendencialmente todos os outros preços.
O presidente do grupo parlamentar do MpD, Luís Carlos Silva, falava à Inforpress, a propósito do encontro de auscultação com sectores mais expostos às variações dos preços dos combustíveis, tendo sido realizada esta manhã com a Associação de Hiaces.
O político disse que partido está preocupado com a possibilidade de um novo aumento, numa altura em que, segundo alertou, os preços já se encontram em níveis “quase insuportáveis” para os cabo-verdianos.
O parlamentar considerou que o Governo tem que deixar de ser só um espectador do mercado internacional e limitar a passar o aumento do preço para o consumidor final.
Entre as medidas que podem ser colocadas em prática, mencionou a redução de impostos sobre os combustíveis, a suspensão do mecanismo automático de fixação de preços e a introdução de tectos aos preços.
Luís Carlos Silva defendeu ainda a mobilização dos recursos previstos no Orçamento Rectificativo de 2026 para fazer face a aumentos considerados excessivos dos combustíveis.
Segundo o deputado, estão reservados 1,7 milhões de contos no Orçamento de 2026 para a protecção dos cabo-verdianos em caso de aumento excessivo dos preços dos combustíveis, pelo que considerou que esses recursos devem ser colocados ao serviço da protecção das pessoas, da economia e dos sectores mais afectados.
O presidente dos condutores de hiace de Santa Cruz e do Sindicato Nacional dos Condutores Profissionais, Domingos Tavares, explicou que os operadores, desde o mês de Agosto, actualizaram os preços dos hiaces, com aumentos que variam consoante os percursos.
A última actualização dos preços praticados pelo sector, recordou, tinha sido feita em 2022.
Em Pedra Badejo, indicou, o aumento foi de 50 escudos, enquanto trajectos anteriormente cobrados a 160 e 170 escudos passaram a custar mais 40 e 30 escudos, respectivamente.
Domingos Tavares considerou que o Governo deve adoptar medidas para minimizar o impacto dos combustíveis, referindo que os operadores já solicitaram ao Governo a redução da componente de oito escudos por litro para quatro escudos, como forma de aliviar os custos do sector.
Apontou ainda o que considera ser uma “duplicação da cobrança” destinada à manutenção das estradas, ou seja, os operadores pagam imposto de circulação às câmaras municipais e ainda mais um valor sobre cada litro de combustível para a mesma finalidade.
Entretanto, disse, “quando andamos na estrada é uma lástima”, apontando como exemplo o estado da estrada em frente à praia de Quebra Canela e a via do Palácio do Governo.
“Se não aumentarmos, vamos ter de fechar as portas porque não conseguimos suportar as despesas”, advertiu, realçando que o objectivo dos operadores não é aumentar as tarifas.
LT/AA
Inforpress/Fim
Partilhar