Médio Oriente: Amnistia acusa Israel de acelerar "limpeza étnica" na Cisjordânia

Inicio | Internacional
Médio Oriente: Amnistia acusa Israel de acelerar "limpeza étnica" na Cisjordânia
10/06/26 - 12:00 pm

Berlim, 10 Jun (Inforpress) – A Amnistia Internacional (AI) acusou hoje Israel de desenvolver uma campanha de "limpeza étnica" na Cisjordânia ocupada, através da deslocação forçada de comunidades palestinianas, denunciando a passividade da comunidade internacional.

Num relatório divulgado hoje em Berlim - intitulado "Eliminar tudo o que é palestiniano: a limpeza étnica de Israel contra as comunidades beduínas e pastoris da Cisjordânia" - a organização de defesa dos direitos humanos sustenta que as autoridades israelitas intensificaram nos últimos anos uma estratégia coordenada para consolidar o controlo sobre a Área C da Cisjordânia, que representa mais de 60% do território ocupado.

A secretária-geral da Amnistia, Agnès Callamard, defende que o Governo israelita lidera uma "anexação deliberada" do território, em violação do direito internacional, recorrendo à deslocação forçada de comunidades palestinianas, à expansão dos colonatos e ao apoio a colonos envolvidos em atos de violência.

Segundo o relatório, pelo menos 117 comunidades palestinianas, maioritariamente beduínas e pastoris, enfrentaram deslocações totais ou parciais entre janeiro de 2023 e abril de 2026, enquanto cerca de 5.910 pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas durante o mesmo período, de acordo com dados das Nações Unidas.

A organização refere ainda que os colonos israelitas estabeleceram 363 postos avançados na Cisjordânia ocupada até abril deste ano, dos quais 212 foram criados desde 2023, alegadamente com o incentivo ou a tolerância das autoridades israelitas.

A AI acusa igualmente o executivo do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de incorporar as prioridades do movimento dos colonos na política estatal, apontando para o aumento da construção de habitações em colonatos, a expansão de infraestruturas e o reforço do financiamento público destinado aos assentamentos.

O documento destaca o caso da aldeia palestiniana de Zanuta, no sul da Cisjordânia, cujos habitantes abandonaram a localidade após sucessivos ataques e intimidações atribuídos a colonos israelitas.

A Amnistia Internacional denuncia ainda um aumento acentuado da violência dos colonos contra palestinianos, incluindo agressões físicas, destruição de propriedades, incêndios e ataques a meios de subsistência, alegando que as autoridades israelitas não apenas falham em prevenir esses atos, mas também contribuem para um clima de impunidade.

A organização apela aos Estados com influência sobre Israel, incluindo os Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e países da União Europeia (UE), para suspenderem qualquer forma de cooperação que contribua para a ocupação dos territórios palestinianos e para imporem sanções contra responsáveis israelitas envolvidos nas políticas denunciadas.

A AI defende igualmente o apoio às investigações do Tribunal Penal Internacional sobre alegados crimes cometidos nos Territórios Palestinianos Ocupados.

As conclusões do relatório foram enviadas às autoridades israelitas em Maio.

Numa resposta citada pela organização, o Ministério da Defesa de Israel afirmou que as forças israelitas investigam incidentes de violência atribuídos a colonos e actuam quando necessário para impedir ataques.

Inforpress/Lusa

Fim

Partilhar