Maio: Bloqueio de fotossíntese permite remover cerca de 40 hectares de acácia e disponibilizar mais água (c/áudio)

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Maio: Bloqueio de fotossíntese permite remover cerca de 40 hectares de acácia e disponibilizar mais água (c/áudio)
12/08/26 - 12:00 pm

*** Por Ricénio Lima, da Agência Inforpress ***

Porto Inglês, 12 Ago (Inforpress) – A remoção de cerca de 40 hectares de acácia americana na ilha do Maio, com recurso a técnicas de bloqueio da fotossíntese, permitiu diminuir os impactos da espécie no solo e aumentar a disponibilidade de água na ilha.

A informação foi avançada à Agência Inforpress pelo técnico da Fundação Maio Biodiversidade e coordenador do projecto, Jairson da Veiga.

Maio possui o maior perímetro florestal de Cabo Verde, com cerca de 3.500 hectares de área contínua, fruto da campanha de combate à desertificação realizada na ilha no período pós-independência.

Pensada para criar áreas verdes, facilitar o acesso à lenha e garantir matéria-prima para a produção de carvão, as acácias rapidamente se espalharam por toda a ilha, através da criação de gado, e revelaram-se uma espécie altamente invasora.

Com o tempo, a proliferação da acácia americana na ilha do Maio começou a contribuir para a redução da disponibilidade de água em ribeiras e poços, devido à sua capacidade de consumir até dez litros de água por dia, além de alterar a qualidade da água e competir de forma agressiva com espécies nativas e em risco de extinção.

Para colmatar este problema, a Fundação Maio Biodiversidade (FMB) desenvolve, desde 2022, um projeto de corte de acácias nos ecossistemas frágeis, como as dunas e os parques naturais da ilha.

Até ao momento, de acordo com dados da Fundação, já foram removidos cerca de 40 hectares desta espécie, com destaque para a remoção total nas salinas do Porto Inglês, o corte de três mil acácias nas dunas do Parque do Norte e, mais recentemente, de 5.300 acácias na ribeira de Praia Gonçalo.

O coordenador do projeto, Jairson da Veiga, avançou à Inforpress que a iniciativa procura regenerar os sistemas dunares e zonas que anteriormente eram agrícolas, recuperando as características naturais destas importantes áreas de biodiversidade.

“Temos atuado na remoção de acácias nos sistemas dunares, que são ricos em plantas endémicas e espécies nativas como o ‘taraf’, mas também em leitos de ribeiras e zonas que foram muito agrícolas, mas que acabaram por ficar comprometidas pelas acácias”, avançou.

A remoção desta espécie tem sido complementada com o uso da técnica de bloqueio da fotossíntese que, segundo Jairson da Veiga, tem permitido eliminar por completo a árvore, sem possibilidade de regeneração.

“Ao invés de queimar o tronco ou usar óleos combustíveis, usamos o bloqueio da fotossíntese, que consiste em cobrir o tronco da árvore com uma lona preta no solo, o que permite bloquear a entrada da luz, impede a entrada de água e a realização da fotossíntese”, explicou, destacando que as raízes da acácia podem chegar aos 14 metros de profundidade.

Segundo este responsável, o método, quando bem aplicado, tem-se mostrado eficaz no combate à espécie, pelo que recomendou o uso da técnica em outras ilhas do país no processo de remoção.

No Maio, a remoção, até agora, dos cerca de 40 hectares de acácia americana tem permitido, segundo Jairson da Veiga, aumentar a disponibilidade de água nos poços, exercer menor pressão no solo, bem como favorecer a aproximação da avifauna, com a presença de mais aves.

“Os poços secavam com facilidade, mas temos constatado que a água permaneceu com a remoção das acácias. Com as próximas chuvas, estes resultados serão melhor confirmados”, afirmou.

O projeto de corte de acácias tem servido também como fonte de rendimento para famílias das diferentes localidades da ilha do Maio, funcionando de forma rotativa, de modo a beneficiar o maior número de pessoas.

Este ano, 33 pessoas beneficiaram de frentes de trabalho no âmbito do projeto, o que, segundo o responsável, tem sido uma mais-valia no combate ao desemprego, mas também uma oportunidade de envolver as comunidades na conservação ambiental.

Além da remoção, a fundação tem incentivado a plantação de espécies nativas e fruteiras por toda a ilha, contribuindo para aumentar os espaços verdes. Entre 2024 e 2025, foram distribuídas cerca de cinco mil plantas fruteiras nas comunidades e plantadas 3.600 plantas por ano.

Estas iniciativas pretendem contribuir para a segurança alimentar, através da disponibilização de mais frutas, e para o combate às alterações climáticas que afetam a ilha do Maio.

RL/AA

Inforpress/Fim

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