
Cidade da Praia, 08 Jun (Inforpress) - A directora do Centro de Língua Portuguesa da Uni-CV defendeu hoje o reforço da investigação científica sobre as realidades linguísticas do país, considerando que a crescente diversidade de línguas nas escolas exige novas abordagens pedagógicas, educativas e inclusivas.
Mariana Faria falava à margem da abertura do VII Encontro Cabo-verdiano de Língua Portuguesa, que decorre no 'campus' da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), na cidade da Praia, reunindo especialistas nacionais e internacionais para debater os desafios do ensino das línguas em contextos multilingues e multiculturais.
Segundo explicou, as transformações sociais e demográficas registadas nos últimos anos têm contribuído para uma maior diversidade linguística nas comunidades e, consequentemente, nas salas de aula cabo-verdianas.
“Os repertórios linguísticos dos diferentes falantes são extremamente heterogéneos e nós damos conta de que as comunidades são crescentemente multilingues”, afirmou a responsável.
A directora observou que, actualmente, as escolas do país acolhem alunos que, para além do crioulo cabo-verdiano e do português, possuem conhecimentos de outras línguas, como o wolof, o mandarim ou o iorubá, uma realidade que deve ser considerada na definição das estratégias educativas.
Para responder a estes desafios, Mariana Faria defendeu a produção de conhecimento científico capaz de fornecer dados concretos sobre as dinâmicas linguísticas existentes no arquipélago.
“Precisamos de alcançar evidência científica para que isto possa alimentar as decisões que são tomadas do ponto de vista pedagógico e educacional, para garantir que estes meninos e estas meninas se sintam incluídos”, sublinhou.
De acordo com Mariana Faria, os avanços registados nas ciências da linguagem e na didáctica das línguas permitem actualmente recolher e analisar dados de forma mais sistemática, contribuindo para a construção de políticas educativas ajustadas às necessidades reais dos alunos.
“Precisamos recolher de forma sistemática dados que nos permitam realmente desenvolver planos de trabalho a longo prazo e que permitam a transformação de que necessitamos”, acrescentou.
A directora salientou ainda que o encontro pretende criar um espaço de reflexão e partilha entre investigadores, professores e especialistas de diferentes áreas do conhecimento, permitindo uma melhor compreensão das mudanças que estão a ocorrer nas comunidades linguísticas.
Nesse sentido, defendeu que a definição de políticas públicas para a educação deve assentar num diálogo permanente entre investigação científica, escolas e decisores políticos.
“Melhor compreender para podermos melhor agir, porque compreender as reais necessidades dos nossos meninos, dos nossos jovens e das comunidades vai permitir definir um plano de actuação para uma educação de qualidade”, afirmou.
O VII Encontro Cabo-verdiano de Língua Portuguesa decorre até terça-feira e inclui conferências, oficinas pedagógicas, actividades culturais e a apresentação dos Jogos Cabo-verdianos de Língua Portuguesa, uma iniciativa digital destinada a promover a aprendizagem da língua em contextos multilingues.
A edição deste ano fica marcada pela realização, pela primeira vez, dos Jogos Cabo-verdianos Universitários da Língua Portuguesa, uma iniciativa dirigida a estudantes do ensino superior que pretende tornar a aprendizagem da língua mais participativa e atractiva através da utilização de recursos digitais desenvolvidos pelo Camões – Centro de Língua Portuguesa.
CM/CP
Inforpress/Fim
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